Serra diz que Dirceu é "guru de Haddad" e defende gestão de Kassab

Do UOL, em São Paulo

José Serra, candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, disse nesta sexta-feira (14) que José Dirceu --que é réu no julgamento do mensalão e ex-ministro da Casa Civil-- é "guru" de Fernando Haddad, candidato do PT, e defendeu a gestão do atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD), que apoia sua candidatura.

As declarações foram feitas durante sabatina Folha/UOL. Durante o evento, Serra se emocionou ao falar sobre uma missa católica celebrada pelo padre Marcelo Rossi na qual se lembrou da mãe doente.

Na sabatina, o tucano focou seus ataques no adversário petista --com quem está tecnicamente empatado no segundo lugar nas pesquisas, atrás do líder Celso Russomanno (PRB)-- para se defender de perguntas sobre sua aliança com o PR, partido de Valdemar Costa Neto, também réu do mensalão, e sobre o fato de ser considerado padrinho de Kassab.

"Ter alguém que está envolvido no mensalão em um partido que me apoia não descaracteriza quem é o partido do mensalão", afirmou, referindo-se ao PT.

Serra afirmou que Dirceu tem participação ativa na campanha de Haddad. "Ele [Dirceu] é guru de todo esse pessoal, inclusive do Haddad. Ele dá direção da linha da campanha. Ele que diz ‘tem que fazer isso ou aquilo’. Inclusive foi ele que disse 'tem de bater no Serra, não no Russomanno”, declarou.

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“Inclusive ele [Dirceu] gosta de ser chamado de guru. Qual o problema? Por que [Haddad pode] se sentir ofendido com isso?", disse.

Para o tucano, falar sobre Costa Neto e sobre o mensalão mineiro --suposto esquema do publicitário Marcos Valério com tucanos do Estado, em 1998-- é uma estratégia do PT para criar "cortina de fumaça".

"Essa é a cortina de fumaça do PT. O mensalão é uma realidade, está na Justiça. Para mim, culpado tem de ser punido e inocente tem de ser absolvido. Todo mundo sabe que o mensalão é PT, o grande comando, governo etc. Esse negócio mineiro a Justiça vai julgar e vai se manifestar a esse respeito. Não vai acontecer com o PT, que ficou pressionando, pressionando", afirmou.

Ao falar de Kassab, cuja administração é reprovada pela maioria dos paulistanos, Serra afirmou que não é padrinho nem "guru" do prefeito e voltou a atacar o adversário Fernando Haddad dizendo que José Dirceu é guru do petista.

“O Kassab era meu vice, assumiu quando eu saí da prefeitura. Terminou meu mandato e se elegeu, ganhou. Teve 61% de votos contra a Marta [Suplicy]. Ele é uma individualidade política. Não tem padrinho nem afilhado nessa história”

Questionado se se orgulhava da administração do atual prefeito, Serra disse: "Acho que foi uma boa gestão. O resto é pegadinha".

“[Kassab] não tem o reconhecimento proporcional àquilo que fez na prefeitura porque entrou em um projeto de criação de partido [o PSD] e isso, na percepção do paulistano, equivalia um pouco a se afastar da cidade (...) A população vê no prefeito uma espécie de síndico que tem que estar com a prefeitura no centro de suas ações", disse.

O tucano, porém, disse ser contra a proposta de Kassab sobre pedágio urbano. “Eu sou contra porque não tem sistema de transporte público a altura. Só pode pensar em pedágio urbano no dia em que houver um sistema de trilhos por cima e por baixo, sem contar corredores de ônibus (...) Também sou contra [a ampliação do rodízio].”

Aref

Durante a sabatina, Serra foi questionado sobre a nomeação de Hussain Aref Saab dentro da Secretaria da Habitação, quando o tucano era prefeito. Ele negou que conhecia Aref e disse que não o nomeou a pedido de Kassab. "Eu nunca disse que foi a pedido de Kassab. Foi nomeado um secretário da Habitação e quando eu nomeio um secretário, não entro nas escalões inferiores. Nunca vi esse senhor", afirmou.

Logo depois, o candidato retomou o assunto para dizer que Aref atual na gestão anterior à sua, que foi da então prefeita Marta Suplicy (PT). "Esse senhor teve um papel muito importante na prefeitura da Marta. Foi o principal conselheiro do plano diretor, que foi tão mal feito, que é ruim para a cidade", disse.

Em maio deste ano, o diretor técnico do Departamento de Aprovação das Edificações (Aprov) da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), Hussain Aref Saab, foi afastado do cargo por suspeita de enriquecimento ilícito, tendo suspostamente comprado 106 imóveis durante sua gestão, a partir de 2005. Após a denúncia, o prefeito Kassab decidiu afastar o funcionário.

"Estou em ponto de bala"

Questionado sobre sua idade, o tucano disse que está “em ponto de bala”.

“Nas ruas eu ouço muito, principalmente de mulheres: ‘nossa, o senhor é mais novo do que na televisão’. Ouço isso o tempo inteiro. Sinal de que eu mostro um tipo de disposição forte”, disse Serra, que tem 70 anos de idade.

Para o tucano, na política a velhice não se mede pela idade, mas pelas “ideias”.

Quem é José Serra

José Serra tem 70 anos e nasceu na cidade de São Paulo. Em 1960, ingressou  no cursou engenharia civil na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, mas não chegou a concluir o curso. Ele se especializou em economia no exterior.

Já foi deputado federal e senador por São Paulo. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, assumiu o Ministério do Planejamento e, depois, a pasta da Saúde. Serra já disputou a Presidência da República pelo PSDB duas vezes, mas perdeu  para candidatos petistas nas duas ocasiões: em 2002, quando foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva, e em 2010, quando foi eleita a atual presidente Dilma Rousseff.

Em 2004, Serra venceu as eleições para prefeito de São Paulo, mas deixou o cargo um ano e três meses depois para disputar o governo do Estado, sendo eleito no primeiro turno com mais de 12 milhões de votos.

A saída da prefeitura, no entanto, até hoje causa desconforto ao tucano. Em 2004, durante sabatina promovida pela Folha, Serra assinou documento no qual se comprometia a cumprir todo o mandato, que chamou depois de “papelzinho”.

Sabatina Folha/UOL

A Sabatina Folha/UOL com Serra encerrou a série de sabatinas organizadas pelo jornal e pelo portal com os principais candidatos a prefeito da capital paulista. Em São Paulo, foram sabatinados os candidatos Russomanno, Gabriel Chalita (PMDB), Soninha Francine (PPS), e Haddad.

Mais informações sobre as eleições em São Paulo.



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