Período eleitoral é foco de fraudes e chave para o combate à corrupção

Maria Denise Galvani
Do UOL, em São Paulo

As eleições municipais também são alvo de manobras irregulares que permitem a administradores corruptos continuar no poder. Tanto em Analândia (SP) quanto em Januária (MG), evidências de fraudes eleitorais estão sob investigação no Ministério Público. Entre as ocorrências mais comuns, está a compra de votos e o uso de recursos públicos para financiar atividades de campanha.

No caso de Analândia – que tem 4.200 habitantes e 4.800 eleitores – , um inquérito investiga esquema de compra de votos, onde o candidato teria registrado eleitores indevidamente e patrocinado a vinda deles para votar na cidade.

Em Januária, foi registrado o testemunho de um funcionário da campanha eleitoral de 2008 pago com cheques da prefeitura.

Para Fábio Oliva, que já investigou várias denúncias de corrupção em Januária, é ainda mais difícil para o cidadão comum comprovar a ocorrência de fraudes eleitorais. “A gente sabe que existe, mas muitas vezes a compra de votos acontece em regiões afastadas, onde o poder público não chega, ou nos fins de semana, quando o Ministério Público e a Câmara estão em recesso. É muito difícil haver um controle”, diz ele.

O procurador André Dias reconhece que, de maneira geral, a demora da Justiça em apurar as denúncias e constatar as fraudes acaba desencorajando as pessoas a apresentar denúncias: “Se a Justiça não age rápido, os riscos são maiores. É muito comum um funcionário público, por exemplo, sofrer algum tipo de retaliação no trabalho se chegar ao conhecimento de alguém que ele apontou irregularidades na gestão municipal”.

Neste ano de eleições municipais, a Amarribo Brasil tenta emplacar a transparência como tema de campanha para prefeitos e vereadores em Ribeirão Bonito. “O que estamos fazendo neste ano é procurar todos os candidatos e pedir que eles assinem um termo se comprometendo a divulgar informações públicas e atender solicitações dos cidadãos durante o mandato", afirma Guilherme von Haehling, diretor-executivo da ONG. "Divulgamos a lista de quem não quer assinar, e assim o eleitor já desconfia".

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