Questionado por suposto nepotismo, Campos defende mandatos para juízes

Do UOL, em São Paulo

O candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, defendeu nesta terça-feira (12) que os magistrados do Judiciário e conselheiros de tribunais de contas sejam eleitos para mandatos por tempo determinando, acabando com os cargos vitalícios.

A afirmação foi feita em entrevista ao "Jornal Nacional", da Globo. "O Brasil deve fazer uma reforma constitucional para acabar com os cargos vitalícios. É preciso ter mandatos também no Poder Judiciário", afirmou. 

Campos fez a declaração após ser questionado pelos apresentadores do telejornal sobre ter indicado dois primos --Marcos Loreto e João Campos-- para o Tribunal de Contas de Pernambuco quando era governador do Estado, entre 2007 e 2014. Loreto foi nomeado em 2007 e João Campos em 2011.  Os tribunais de contas estaduais são responsáveis por fiscalizar os gastos do governo.

O candidato do PSB também foi indagado se também não é uma forma de nepotismo suas articulações com o ex-presidente Lula em campanha para a sua mãe, Ana Arraes, assumir um cargo no TCU (Tribunal de Contas da União) em 2011, quando ela era deputada federal. Na ocasião, Ana Arraes acabou se elegendo depois de campanha do PSB e do próprio Campos.

"Se a nomeação fosse minha, se dependesse da minha nomeação enquanto governador, seria nepotismo, e eu quero te dizer que eu fui o primeiro governador a fazer a lei do nepotismo no estado de Pernambuco. Ela, Ana, era funcionária pública de carreira por concurso da Justiça, elegeu-se deputada por duas vezes, com votações crescentes, fez mandatos respeitáveis. A Câmara foi chamada a eleger um parlamentar para uma vaga no Tribunal de Contas, ela se candidatou", disse. ""Na hora que ela saiu candidata com apoio do meu partido, se fosse uma outra pessoa, eu teria apoiado. Por que eu não apoiaria ela que tinha todos os predicados, tanto é que pode registrar a sua candidatura, pode fazer a disputa. Eu nem votei, porque eu não era deputado. Eu, simplesmente, torci na hora em que ela se candidatou para que ela ganhasse."

Perguntando sobre se manteria esse tipo de política caso fosse eleito presidente, Campos defendeu a criação de "comitês de busca" para encontrar os nomes mais capacitados a ocupar cargos em tribunais para que o "processo de escolha seja mais impessoal". Os escolhidos teriam mandato por tempo determinado. "O Brasil precisa fazer uma espécie de comitê de busca, o que é feito para os institutos de pesquisa, juntar notórias, pessoas com notória especialidade e conhecimento para fazer ao lado do presidente a seleção de pessoas que vão para esses lugares vitalícios. Aliás, eu acho que o Brasil deve fazer uma reforma constitucional para acabar com esses cargos vitalícios que ainda existem na Justiça, é preciso ter os mandatos também no Poder Judiciário, coisa que existe em outras nações do mundo, de maneira a oxigenar os tribunais e garantir que esse processo de escolha seja um processo mais impessoal", defendeu.

Marina Silva e agronegócio

A candidatura de Campos tem a ex-senadora Marina Silva, conhecida pela defesa ao ambiente, como vice, mas é apoiada por representantes do agronegócio, entre eles integrantes do próprio PSB. O ex-governador de Pernambuco foi questionado sobre se há coesão na candidatura dele e da vice e como conciliar as agendas do agronegócio e dos ambientalistas.

"Com diálogo. Marina não tem nada contra o agronegócio, a indústria, o desenvolvimento econômico. O que defendemos é que nós temos que ter desenvolvimento com respeito ao meio ambiente e com inclusão", disse. "Nós temos uma visão, uma aliança, que não é feita em cima da minha opinião, da opinião de Marina. Em cima de um programa, de um programa que tem a participação da academia brasileira, de diversos estudiosos, cientistas, militantes do movimento social, que têm nos ajudado a construir um programa, que vai ser lançado nos próximos dias, exatamente para não ter uma coisa de uma aliança pessoal, uma aliança de personalidades, mas uma aliança de pensamentos."

Os entrevistadores citaram a votação da reforma do Código Florestal no Congresso. Marina era frontalmente contrária à aprovação do texto, mas a matéria foi aprovada com apoio da maioria do PSB. "Neste caso, em particular, eu defendi as posições de Marina. Na nossa bancada, ela rachou, na verdade. Teve muita gente que era ligado a estados onde o agronegócio tinha mais expressão que não votou com a orientação partidária."

Questionado sobre o rompimento com o PT para viabilizar sua candidatura à Presidência, Campos negou que o fim da aliança tenha sido motivado por uma ambição pessoal. " Não se trata de ambição. Se trata de um direito, numa democracia qualquer partido pode lançar um candidato, pode divergir.  Porque você apoiou, você não está condenado a apoiar quando você já não acredita, quando você já não vê, não se representa naquele governo."

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