Mortes de eleitores impedem segundo turno em Governador Valadares (MG)

Carlos Eduardo Cherem
Do UOL, em Belo Horizonte

A Justiça Eleitoral de Governador Valadares (MG), município distante 320 km de Belo Horizonte, enviou para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), no início de julho, o registro de 199.692 eleitores aptos para votar nas eleições de outubro.

Com o número, faltaram 308 cidadãos para que o município alcançasse a marca de 200 mil eleitores, o mínimo necessário para que houvesse o segundo turno, segundo a legislação eleitoral.

Foi uma decepção para a população do município, que ganhou fama como maior exportador de mão de obra brasileira para os Estados Unidos, já que o número havia sido alcançado em maio, dentro do prazo legal.

Uma lista de óbitos, porém, fez com que a Justiça Eleitoral revisasse o número de eleitores, que foi reduzido, deixando a cidade com apenas um turno no pleito.

Por meio de uma mobilização intensa na cidade ao longo de seis meses, sobretudo com a realização de palestras em escolas do município --iniciativa capitaneada pela Justiça Eleitoral e Câmara Municipal--, mais de 4.000 valadarenses tiraram o título de eleitor.

Essa situação fez com que, no dia 9 de outubro de 2011, prazo final para o alistamento de eleitores para o pleito deste ano, o município registrasse cerca de 200 eleitores a mais do que o necessário na 118ª Zona Eleitoral, em Governador Valadares. Ou seja, aproximadamente 200.200 eleitores.

Porém, antes do envio do registro de alistamento ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), no início de julho deste ano, a Justiça Eleitoral do município recebeu uma lista de óbitos de valadarenses mortos nos últimos meses no Brasil e no exterior: 554 pessoas ao todo.

A lista de óbitos é enviada regularmente à Justiça Eleitoral pelo INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), porém, sem periodicidade.

“Faltavam dez dias para o envio da lista para o TSE, cruzamos os dados, e recebemos essa ducha de água fria. Foi uma bola na trave porque, em menos de seis meses, com uma grande mobilização nas escolas da cidade, tínhamos conseguido alistar mais de 4.000 jovens, 70% deles com 15 e 16 anos, que estão aptos a votar em outubro”, afirmou o juiz eleitoral em Governador Valadares, Marcelo Carlos Cândido.

“Sempre damos baixa nos títulos, com a listagem de óbitos que recebemos do INSS. Mas dessa vez, tivemos um número excessivo de óbitos. Foi decepcionante”, disse.

Segundo o juiz, nas últimas eleições, cerca de 196 mil eleitores votaram no município. “Foi muito desagradável esse número de óbitos. Quando cruzamos os dados, foi uma surpresa. Sabíamos que, por uma margem pequena, havíamos conseguido alcançar a marca dos 200 mil eleitores. Governador Valadares seria o oitavo município do Estado com segundo turno. Não esperávamos por isso”.

O juiz considera que o pleito em Governador Valadares, caso tivesse segundo turno, poderia ser mais democrático. “Sem segundo turno, o prefeito da cidade pode, em tese, ser eleito com pouco mais de 20% dos votos. Ele teria mais legitimidade em outra situação”, disse.

Este ano, disputam as eleições na cidade cinco candidatos: André Luiz Coelho Merlo (PDT), Augusto Barbosa da Silva Pereira (PSDB), Elisa Maria Costa (PT), José Rodrigues Araújo (PCB) e Ruy Moreira de Carvalho (PSB).

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