Por que o PT não fala em plano B a Lula na eleição?

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • 21.fev.2006 - Alan Marques/Folhapress

    Pesquisas têm consultado o desempenho de Fernando Haddad (esq.) e Jaques Wagner (centro) como substitutos de Lula em projeção sobre a eleição de outubro

    Pesquisas têm consultado o desempenho de Fernando Haddad (esq.) e Jaques Wagner (centro) como substitutos de Lula em projeção sobre a eleição de outubro

A manifestação do presidente do diretório estadual do PT no Rio de Janeiro, Washington Quaquá, de que o partido precisa "discutir muito bem o que é esse negócio de não ter plano B" gerou incômodo entre petistas, principalmente entre os que estão diretamente ligados à possível candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto. Lula foi condenado pela segunda instância e se tornou inelegível pela Lei da Ficha Limpa. Recursos, porém, ainda poderiam colocá-lo na disputa presidencial, marcada para 7 de outubro.

Não falar sobre um substituto caso Lula fique impedido de participar do pleito é uma estratégia do PT. Para o partido, citar outros nomes seria admitir que Lula estaria fora da disputa, fortalecendo candidaturas contrárias ao petista e discursos contra ele.

Por esse motivo, com a repercussão da carta de Quaquá, as lideranças petistas voltaram a reforçar que não há alternativa no PT se Lula não disputar a eleição. "O PT não tem plano B! Lula é e será nosso candidato. O candidato do povo brasileiro", tem repetido a presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann (PR).

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Ao UOL, o coordenador-executivo do programa de governo do PT ao Planalto, o ex-deputado federal Renato Simões, disse que falar em substituto de Lula seria uma "derrota estratégica" do partido. "A discussão de um plano B fragiliza nossa estratégia, que não comporta alternativa."

Até meados do ano passado, nomes eram citados. Lula, uma semana após ter sido condenado pelo juiz Sergio Moro na primeira instância, por exemplo, chegou a projetar o ex-ministro e ex-prefeito paulistano Fernando Haddad como possibilidade de substituto na eleição. "O Haddad pode ser uma personalidade importante se ele se dispuser a percorrer o Brasil", disse em 20 de julho.

Julho de 2017: Lula projeta Haddad como plano B do PT

Mas o debate em torno de outros nomes esfriou depois de um parecer, que ganhou repercussão em outubro. Ele apontava a possibilidade de Lula poder registrar sua candidatura em qualquer circunstância, ou seja, mesmo condenado em segunda instância, fato que ocorreu no começo deste ano.

O documento foi feito advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, que não tem ligação com o PT e já fez pareceres a favor do presidente Michel Temer (MDB). Pereira, porém, ressalta que registrar a candidatura não é mesmo que anular a inelegibilidade.

Mesmo assim, o discurso que aponta Lula como único candidato possível para o PT é mencionado por todos os líderes petistas desde então. Haddad, que era visto como possível substituto, diz que a estratégia do partido é levar a candidatura do ex-presidente até às últimas consequências.

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"Por que vamos deixar de defender uma pessoa em que tanta gente confia? Não é razoável ganhar uma eleição presidencial por W.O.". Em dezembro do ano passado, o ex-prefeito foi anunciado como coordenador do programa de governo de Lula.

Colega de equipe de Haddad, Simões teme que a discussão sobre plano B divida o partido "às vésperas da batalha contra o golpe". Para ele, mais do que a candidatura de Lula, o importante agora é discutir o programa de governo do PT.

"Agora é o debate do Brasil que o povo quer, do programa, de tática e alianças, e da defesa da democracia e do direito de Lula ser candidato".

Antes de Quaquá, uma fala de Rui Falcão, ex-presidente do PT, também gerou polêmica internamente no partido. Em 13 de janeiro, em evento de inauguração de comitê em apoio ao petista na capital paulista, Falcão disse que o PT precisava considerar a hipótese de Lula não ser eleito em decorrência da continuidade do golpe, como os petista classificam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

A manifestação foi o suficiente para gerar críticas dentro do partido e Falcão emitiu um comunicado, que circulou internamente, esclarecendo sua afirmação. Petistas consideraram que aquele não era o momento para se falar na possibilidade de Lula não conseguir ser eleito.

O PT, porém, sabe que existe uma chance de Lula não ser candidato. O registro da candidatura será feito mesmo com Lula preso, o que pode acontecer a partir do momento que o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) ordenar que a pena de 12 anos e um mês de reclusão seja executada.

A partir do registro, em 15 de agosto, a legalidade da candidatura de Lula será discutida por cerca de um mês no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em teoria, o Tribunal tem até 17 de setembro para avaliar as candidaturas, segundo o calendário eleitoral.

Ou seja, a campanha de Lula, com ou sem ele, poderá acontecer nesse período. Uma possibilidade de substituição do ex-presidente só deverá começar a ser externada a partir de um posicionamento do TSE.

Até lá, as especulações sobre plano B continuarão orbitando Haddad e o ex-ministro e ex-governador baiano Jaques Wagner.

Esses foram os únicos dois nomes do partido citado em pesquisas. Haddad foi mencionado no Datafolha de dezembro e obteve 3% das intenções de voto. Já na pesquisa de janeiro, o substituto imaginado foi Wagner, que conseguiu 2%. Lula, por sua vez, aparece com mais de 34% das intenções de voto, liderando todos os cenários.

Enquanto isso, o PT manterá agendas públicas reforçando a candidatura de Lula. O partido já divulgou o roteiro da caravana que o ex-presidente fará entre fevereiro e março pelos Estados do Sul, terminando em Curitiba, berço da Lava Jato

Haddad: candidatura de Lula será levada às últimas consequências

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