Em Belo Horizonte, Lacerda e Patrus travam guerra virtual na internet

Raquel Camargo e Thomaz Molina

Do UOL, em São Paulo

O período eleitoral na capital mineira está sendo marcado por uma guerra virtual contra os dois principais candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte. Marcio Lacerda (PSB) e Patrus Ananias (PT) são alvo de sátiras, críticas e paródias publicadas em redes sociais e blogs.

Os internautas, sem vínculo assumido com nenhum dos partidos políticos, investem tempo e criatividade na produção de vídeos, músicas e montagens para atingir as campanhas adversárias.

De acordo com a última pesquisa Datafolha, divulgada no dia 12 de setembro, Lacerda aparece em primeiro lugar com 49% das intenções de voto, 18 pontos à frente de Patrus. A terceira colocada nas intenções de voto é Vanessa Portugal (PSTU), com 2%.


O PSB de Lacerda e o PT de Patrus foram aliados durante a primeira gestão do atual prefeito, mas os dois partidos romperam a união depois que o PSB decidiu não se aliar ao PT na eleição para vereador. O PT, que indicaria o nome do vice na chapa encabeçada por Marcio Lacerda, anunciou em julho que teria uma candidatura própria e lançou o nome de Patrus Ananias.

Os movimentos chamados “Vai Patrus” e “Turma do Lacerda” são alguns dos que mais chamam atenção do eleitorado de Belo Horizonte. Apesar de os nomes que sugerem apoio aos candidatos, respectivamente, os perfis nas redes sociais que levam esses nomes fazem conteúdos com teor satírico e bem-humorado.

O perfil no Youtube intitulado “Vai Patrus” publica vídeos que usam desde imagens de filmes até trechos de agenda de campanha do candidato petista. Os criadores da página foram procurados, porém não responderam as mensagens enviadas pelo UOL.

A página do Facebook intitulada "Turma do Lacerda" critica o candidato à reeleição do PSB e atual prefeito da capital mineira usando textos irônicos e montagens.

Iniciativa do profissional de marketing digital Pedro Guadalupe, 26, a página foi criada no dia 7 de julho deste ano e publica montagens do prefeito mineiro com textos sarcásticos e elogiosos.

"Quando lancei a página teve muita polêmica, muita gente não percebia que era ironia", disse.

De acordo com Guadalupe, sua única motivação é a visibilidade profissional que ganha com o trabalho. Ele afirmou que não há envolvimento com candidatos adversários ao do atual prefeito de Belo Horizonte, e que não vincula o nome da iniciativa a nenhum partido.

“A Turma do Lacerda é um trabalho diferente e que chama atenção. Quem quiser saber quem faz o conteúdo, vai descobrir, eu não escondo que fui eu quem criou a página”, disse Pedro.

Segundo o idealizador, caso Marcio Lacerda seja reeleito, as publicações da página continuarão e, na hipótese do atual prefeito sair do posto, ele criará a “Turma do Aécio”, com publicações irônicas direcionadas ao senador mineiro Aécio Neves (PSDB).

Gabriel Azevedo, coordenador de ações na internet da campanha de Marcio Lacerda, afirmou ter conhecimento do conteúdo com teor irônico sobre o prefeito.

Perguntado sobre a repercussão das publicações da "Turma do Lacerda", Azevedo afirmou que a campanha não se preocupa com a questão. "A internet é um território livre, cabe a nós oferecer nosso ponto de vista."

Em nota, Marcio Lacerda afirmou que não pretende se manifestar quanto as paródias.

Segundo a campanha do candidato à reeleição, a única ação que protocolou contra uma campanha desfavorável veiculada na internet foi contra um grupo que criou um site que espelhava a sua página de campanha para obter vantagens nos mecanismos de busca, prática denominada 'black hat SEO'. A página falsa ataca a imagem do atual prefeito.

Patrus Ananias, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que não vai se posicionar sobre essas manifestações na internet.

Salomão Terra, especialista em marketing digital e professor da PUC e Centro Universitário UNI-BH, diz que os movimentos feitos pelos internautas marcam de forma positiva as eleições. "Por motivos diversos esse tipo de ação pode ser motivada, mas expressa engajamento político. Por piada ou outras formas, os grupos conseguem se expressar."

O profissional de mídias sociais Fernando Cravieé acompanha a criação das manifestações políticas pela internet em Belo Horizonte e afirma que o humor das publicações consegue atrair mais a atenção dos eleitores jovens. “É um público que tem expectativas de mudança, logo, não compartilham apenas pela piada. Eles entendem o contexto, e participam de discussões”, diz Cravieé.

Alexandre Atheniense,  advogado especialista em propaganda eleitoral na internet, afirma que o uso de humor, sarcasmo e paródias em publicações em período eleitoral é comum, porém, chegam perto do limite entre a liberdade de expressão e a ofensa.

“Difamação continua sendo difamação, calúnias e injúrias continuam existindo”, disse Atheniense.

De acordo com o advogado, o candidato que se sentir ofendido por publicações durante a campanha pode acionar o TRE.

Após o período eleitoral, caso o candidato queira tomar atitudes jurídicas com relação à algum conteúdo divulgado há mais tempo, ele terá até cinco anos de prazo para ofensas de âmbito cível, ou seja, de ataques que envolvam sua figura pessoal, e não o seu cargo político.

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