01/11/2010 - 17h03

No dia seguinte, vitória de Dilma estampa capas de jornais pelo Brasil e mundo

Arthur Guimarães
Do UOL Eleições
Em São Paulo

Nesta segunda-feira, os principais jornais do país e do mundo destacaram em suas capas a vitória de Dilma Rousseff (PT)  na disputa pela Presidência.

Diários da América Latina, Estados Unidos, Europa e Oriente Médio trouxeram em suas primeiras páginas fotos e textos sobre a campanha eleitoral brasileira - veja álbum de fotos.

As formas usadas pelos periódicos para explicar o resultado do pleito foram variadas. Para o Público de Portugal, a petista é "a mulher a quem Lula deu o Brasil". Os leitores do chileno El Mercurio, de Santiago, foram informados que Dilma "promete honrar o legado de Lula".

O El Universal, da Venezuela, diz que o sucesso da eleita vem de sua "eficiência administrativa e capacidade política". Já o espalhol El País disse que a conquista, acima de tudo, foi uma "vitória moral para Lula".

O portenho Clarín informa que o Brasil, assim a Argentina, "também" tem uma mulher que chegou à Presidência. No El Território, que circula no nordeste do país comandando por Cristina Kirchner, Dilma virou "Dama de Ferro".

Na Bulgária, terra natal do pai da presidente eleita, o jornal 24 Hour Daily (24 Chasa) deu amplo destaque à vitória petista, publicando foto na primeira página em que a ex-ministra chefe da Casa Civil aparece votando domingo (31) em Porto Alegre.

A revista alemã Der Spiegel classifica a petista como "uma mulher de discursos calorosos e (que) não tem o carisma ou o talento retórico do astro político Luiz Inácio Lula da Silva".

A publicação faz ainda uma ressalva: "a transformação do Brasil de um gigante adormecido em um país de esperança com aspirações a se tornar uma grande potência mundial não começou com Lula", diz um trecho da reportagem.

"A transformação tem suas origens em 1994, quando o país adotou o real como moeda", afirma o texto, concluindo a seguir: "Na época, o social democrata Fernando Henrique Cardoso teve êxito em pegar um país que tinha sido abalado até o núcleo pela hiperinflação e a dívida explosiva e colocá-lo de volta nos trilhos através de reformas políticas econômicas e financeiras."

O francês Le Monde adota tom cauteloso, ao tratar das carências ainda vistas no Brasil. "A educação, verdadeiro calcanhar de Aquiles do Brasil, continua sendo medíocre, especialmente no ensino fundamental e médio, e impede que se forme a mão de obra qualificada da qual o país precisa nesse período de crescimento", diz o diário.

Segundo o periódico editado em Paris, "a violência urbana é um flagelo alimentado pelo tráfico de drogas", situação que contribui para que o país seja "uma das sociedades mais desiguais do planeta".

Aqui no Brasil, o jornal carioca Extra, mais descontraído, crava em sua capa: "Acabou o clube do Bolinha", em uma referência ao fato de a petista ser a primeira mulher a presidir o país. No Jornal de Santa Catarina, a primeira página é assinada, de batom, com o nome da nova comandante do Brasil.

Internet
No domingo (31), assim que o resultado das eleições foram divulgados, as edições virtuais dos principais jornais do mundo já destacavam a vitória da petista.

No alto de sua home page, o New York Times, tido como o mais prestigiado periódico do mundo, destacava logo no título: “Sucessora escolhida por líder brasileiro vence a Presidência”. No texto, assinado por jornalistas da agência de notícias Reuters, o jornal destacava que a “ex-líder de guerrilha” venceu depois de prometer ser fiel aos projetos que “ergueram milhões da pobreza e fizeram do Brasil uma das economias mais quentes do mundo”.

A reportagem dizia ainda que a vitória é um prêmio na particular trajetória da petista, que a “tirou da prisão” nos anos 70 para ser “a primeira mulher a comandar a maior economia da América Latina”.

O periódico espanhol El País trazia a conquista petista na manchete de seu site. Sob o título “Dilma, primeira mulher que alcança a Presidência”, o diário afirmava que a candidata atingiu “mais de 11 milhões de votos sobre o opositor”.

O jornal francês Le Monde, com menor destaque, também registrou o resultado das eleições no Brasil. No texto publicado, o diário classificava Dilma como uma “herança política de Lula”, de quem teria assimilado toda a “popularidade recorde”, e uma sobrevivente após um câncer aos 62 anos.

O inglês The Guardian também registrou que o país elegeu sua “primeira mulher presidente”, confirmando os resultados das pesquisas eleitorais. Em um texto publicado na capa de seu site, o diário chamou a presidente eleita de “ex-rebelde Marxista”.

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