Operação Lava Jato

Um dia após condenação, PT reafirma pré-candidatura de Lula

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

  • Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo

    Gleisi Hoffmann e Lula participam de reunião da Executiva Nacional do PT

    Gleisi Hoffmann e Lula participam de reunião da Executiva Nacional do PT

Um dia depois de ser condenado em segunda instância na Operação Lava Jato, o que pode deixá-lo de fora das eleições deste ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve sua candidatura à Presidência reafirmada pelo PT nesta quinta-feira (25).

"Estamos lançando a pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República", disse a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), ao abrir a reunião da Executiva Nacional do PT na sede da CUT, em São Paulo.

O PT já havia lançado formalmente e pré-candidatura de Lula em dezembro do ano passado.

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O ex-presidente participa da reunião de hoje. O evento contou também com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), além de governadores petistas, lideranças do partido, de centrais sindicais e de movimentos sociais.

Dilma defendeu o fato de o PT ter apoiado a Lei da Ficha Limpa, sancionada por Lula e que agora pode tirá-lo do páreo eleitoral, ao dizer que o partido apoiou todas as medidas "democráticas" tomadas nas últimas décadas no Brasil.

"Não temos culpa se eles transformaram uma parte do combate à corrupção para destruir um inimigo", disse. "Mas nós sobrevivemos."

Condenado, Lula pode ser candidato?

O evento de hoje foi o segundo ato público de Lula em menos de 24 horas após a condenação, em um aparente esforço para manter em circulação a ideia de que sua candidatura é viável e que é alvo de perseguição política.

O ato contou com falas do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão e do advogado Luiz Fernando Pereira, que explicaram aos militantes presentes as perspectivas de Lula na Justiça comum e na eleitoral. Na frente política, algumas das lideranças presentes voltaram sua artilharia para o Judiciário.

"Eu sou daqueles que já não aposta tanto no Judiciário", disse o governador do Piauí, Wellington Dias (PT).

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O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) foi mais incisivo. Segundo ele, "estão rompendo o pacto da redemocratização" e "trancando a via institucional".

Lindbergh defendeu que a militância deixe "as ilusões de lado", porque não será na Justiça que vão vencer o "golpe" --como os aliados de Lula chamam o impeachment de Rousseff e as medidas do governo de Michel Temer (PMDB).

'Tem que ter rebelião cidadã para o Lula ser candidato", afirmou.

Já o coordenador nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), João Pedro Stédile, disse que, "se o povo não estivesse dando bola" para Lula, colocando-o na liderança de pesquisa, não haveria a suposta perseguição ao ex-presidente.

Lula pode ser preso após condenação?

Condenação coloca o futuro político de Lula em risco

Na quarta (24), Lula foi condenado pelo TRF-4 a 12 anos e um mês de prisão no chamado processo do tríplex, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Sua defesa afirma que não há provas.

A condenação coloca o futuro político de Lula em risco, já que sua candidatura presidencial pode ser enquadrada na Lei da Ficha Limpa. Só em agosto, quando corre o prazo para o registro, a Justiça Eleitoral deve abordar o assunto.

Lula lidera as pesquisas de intenção de voto em um momento em que há dúvidas não só sobre sua candidatura, mas também sobre uma eventual prisão.

O TRF-4 decidiu ordenar a detenção do ex-presidente tão logo se esgotem os recursos na própria segunda instância. O petista pode recorrer aos tribunais superiores (STJ e STF).

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