PT e DEM apostam em 2014 na eleição de Salvador

Felipe Amorim
Do UOL, em Salvador

A disputa entre ACM Neto (DEM) e Nelson Pelegrino (PT) pela Prefeitura de Salvador, terceiro maior colégio eleitoral do país, com 1,8 milhão de votos, terá repercussão direta para seus partidos em 2014, quando estará em jogo uma eleição nacional para presidente e governador.

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Legenda que encolheu na última eleição, indo de 496 prefeituras em 2008 para 276 neste ano, o DEM aposta na gestão das grandes cidades que conquistou para se manter como força política importante no país.

Na última pesquisa Ibope, Neto aparecia na frente, com 55% dos votos válidos, contra 45%, de Pelegrino.

O presidente nacional do partido, José Agripinio Maia, afirmou que, caso Neto seja eleito, Salvador “será a grande vitrine que o partido vai expor para o Brasil”. Entre as maiores cidades conquistadas pelo DEM nestas eleições estão Aracaju, Mossoró (RN) e Feira de Santana (BA).

O PT, que teve no desgaste da gestão do governador Jaques Wagner (PT) um dos obstáculos ao desempenho da candidatura de Pelegrino, teria com a prefeitura da capital uma chance de reconstruir a imagem do partido no Estado e lançar uma candidatura competitiva ao governo em 2014.

Em seu segundo mandato, Wagner não poderá mais tentar a reeleição. Pesquisa Ibope realizada em Salvador entre 17 e 19 de outubro mostra o governador com 40% de avaliações “ruim” ou “péssima” à sua gestão, e outros 41% de “regular”.

Perfil do candidato

Nome: Antonio Carlos Peixoto Magalhães Neto
Partido: DEM
Nascimento: 26/1/1979
Município de nascimento: Salvador (BA)
Ocupação: Deputado federal
Vice: Célia Sacramento (PV)
Coligação: É hora de defender Salvador (PTN / PPS / DEM / PV / PSDB)

“O que está em jogo aqui é a disputa das eleições de 2014, seja na eleição presidencial, seja na eleição para governador. Então, para os dois partidos é fundamental conquistar a prefeitura e realizar boas administrações”, avalia o cientista político Cloves Oliveira, professor da Ufba (Universidade Federal da Bahia). A Bahia é o quarto colégio eleitoral entre os Estados, com 7,2% dos eleitores de todo o país.

“Salvador poderá ser a maior vitória da oposição ao governo federal”, afirma o professor de ciência política da Ufba, Joviniano Carvalho Neto. Em caso de vitória de Pelegrino, o professor afirma que seria uma oportunidade para o PT resgatar a credibilidade do governo estadual com o eleitorado.

“A eleição é mais importante para o DEM do que para o PT. A possível vitória de ACM Neto garante uma imagem de força que auxilia na sobrevivência do partido”, diz Carvalho Neto.

O candidato do PT deixa clara a polarização da campanha, ao afirmar, repetidas vezes em debates, que o que está em jogo é a “disputa de dois projetos políticos”.

Pelegrino adotou o mote de que pertence ao “time de Wagner, Lula e Dilma”. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a comícios em Salvador no primeiro e segundo turno, e a presidente Dilma Rousseff (PT) apenas na segunda fase da disputa. Ambos foram presença constante no horário eleitoral do petista.

Perfil do candidato

Nome: Nelson Vicente Portela Pelegrino
Partido: PT
Nascimento: 27/12/1960
Município de nascimento: Salvador (BA)
Ocupação: deputado federal
Vice: Olívia Santana (PC do B)
Coligação: Todos juntos por Salvador (PP / PDT / PT / PTB / PR / PSDC / PHS / PMN / PTC / PSB / PRP / PPL / PSD / PC do B / PT do B)

O resultado do primeiro turno mostrou uma cidade dividida entre os bairros mais ricos e escolarizados da orla, onde ACM Neto venceu na maioria das zonas eleitorais, e os bairros do subúrbio, onde Pelegrino levou vantagem.

Neto terminou na frente no primeiro turno, separado de Pelegrino por apenas 5.626 votos.

De partido de oposição ao governo federal e estadual, Neto tem reforçado na campanha a ideia de que “Salvador pode andar com as próprias pernas”, e confia na imagem de eficiência administrativa que tem o  grupo político do avô, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (1927-2007), prefeito em 1967 e governador do estado por três vezes.

A eventual vitória de Neto tem sido interpretada como a volta do “carlismo”, substantivo que se refere ao estilo político e ao segundo nome do senador.

O grupo de ACM governou o Estado desde 1991, saindo apenas com a derrota para o petista Jaques Wagner, em 2006. Também na prefeitura, candidatos apoiados por ACM governaram de 1997 a 2004.

O rótulo tem sido rechaçado pelo DEM e pelo próprio Neto. “Esses rótulos que a imprensa dá são todos inadequados.

Todo mundo sabe do orgulho enorme que tenho do senador Antonio Carlos. Agora, não há que se falar em reedição do que quer que seja”, afirmou o candidato, em entrevista à “Folha de S. Paulo”.

“A situação é diferente de dez anos atrás, não se pode falar isso [em volta do carlismo]. Acho que o que está havendo é um envelhecimento precoce do PT”, afirma o ex-governador Paulo Souto (DEM), durante carreata da campanha de Neto, nesta sexta-feira (26).

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