Reitoria da USP proíbe realização de palestras com candidatos a prefeito dentro do campus

Vinícius Segalla
Do UOL, em São Paulo

  • Roberto Setton/Glamurama

    O reitor da USP, João Grandino Rodas, foi contra o evento desde que surgiu a ideia, no início do ano

    O reitor da USP, João Grandino Rodas, foi contra o evento desde que surgiu a ideia, no início do ano

A reitoria da USP (Universidade de São Paulo) proibiu que o Centro Acadêmico da FEA/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) realizasse um ciclo de palestras com os candidatos à Prefeitura de São Paulo dentro do campus da universidade na zona oeste de São Paulo.

O evento, chamado "Semana Política CAVC" (abreviação do nome do órgão de representação estudantil da FEA, Centro Acadêmico Visconde de Cairu), vinha sendo preparado desde o início do ano, e todos os (até então) pré-candidatos que concorrem à prefeitura paulistana foram convidados, segundo informa Marco Bonazzoli, diretor do CAVC, até o fim do mês de maio .

Até aquele momento (maio deste ano), já haviam confirmado presença no evento os então pré-candidatos Fernando Haddad (PT), Gabriel Chalita (PMDB) e Carlos Gianazzi (PSOL). José Serra (PSDB) ainda não teria recusado nem aceito o convite. 

Já em março deste ano, porém, em ofício enviado à diretoria da FEA e todas unidades da USP, o chefe de gabinete da reitoria, professor Celso de Barros Gomes, informou que o órgão era contrário à realização de eventos envolvendo candidatos ou pré-candidatos dentro dos campi da universidade.

Posteriormente, veio a proibição oficial à "Semana Política do CAVC". O motivo alegado era que apenas os principais candidatos teriam sido convidados, e a "legislação eleitoral veda o uso de bem público em favor de candidato, partido ou coligação, destacando-se, principalmente, o fato de não terem sido convidados todos os candidatos à eleição".

Ocorre que, à época, a campanha à prefeitura ainda não havia oficialmente começado (começou no dia 6 de julho), e sequer era possível saber o nome de todos os candidatos que concorreriam no pleito paulistano. "Ainda assim, para viabilizar o evento, realizamos uma força-tarefa e enviamos convites para todos os 28 partidos políticos que possuem sede em São Paulo", conta André Avrichir, presidente do CA da FEA.

Foi em vão. A Procuradoria da USP seguiu proibindo o evento. Inconformados, os estudantes levaram o caso para a Justiça comum. Nesta semana, em decisão de segunda instância, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) decidiu que não poderia arbitrar sobre o assunto, visto que a USP é uma autarquia, e cabe mesmo à reitoria a decisão final sobre o que pode e o que não pode ser feito dentro do campus.

Vencidos, os estudantes publicaram uma nota oficial nesta quinta-feira, lamentando a decisão da reitoria da USP. "O CAVC sente-se obrigado a manifestar sua consternação diante dos acontecimentos. O livre debate e manifestação política são direitos fundamentais na constituição de uma sociedade democrática e sua restrição é inadmissível, ainda mais no espaço de discussão e pensamento de que consiste a Universidade."

O UOL tentou entrar em contato com a reitoria da USP na noite desta quinta-feira, horário normal de aulas na universidade, mas ninguém atendeu aos telefonemas. Em nota oficial, a reitoria da USP justifica sua decisão afirmando que os estudantes convidaram "apenas os seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas. Qualquer outro candidato não convidado poderia impugnar a realização das palestras, o que causaria imenso transtorno à Universidade, a qual poderia ser chamada a responder, inclusive, judicialmente".

Apesar disso, conforme documentos do Centro Acadêmico que foram protocolados na Justiça e aos quais o UOL teve acesso, o CA da FEA convidou todos os partidos políticos com sede em São Paulo.

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