PT de BH define apoio a Lacerda (PSB) e abre brecha para coligação com PSDB

Rayder Bragon
Do UOL, em Belo Horizonte

  • Rayder Bragon/UOL

    Encontro do PT em Belo Horizonte, no qual o partido definiu apoio a Márcio Lacerda (PSB)

    Encontro do PT em Belo Horizonte, no qual o partido definiu apoio a Márcio Lacerda (PSB)


Com clima tenso e até troca de empurrões, encontro do diretório municipal do PT de Belo Horizonte (MG), realizado neste domingo (25), decidiu, em votação apertada, que o partido vai reeditar na eleição municipal deste ano a aliança com o PSB, sigla a qual pertence o atual prefeito da capital mineira, Marcio Lacerda.  Agora, o PSB definirá se aceita ter o PSDB na coligação que tentará a reeleição de Lacerda.

Em 2008, a candidatura de Lacerda contou com o apoio informal dos tucanos e os petistas indicaram o candidato a vice na chapa majoritária.

O encontro de hoje foi realizado para definir “políticas de alianças e táticas eleitorais”. No total, 255 delegados votaram a favor do texto que não determina candidatura própria, mas “reitera a não participação a coligação (em que o PT participar) de partidos políticos que se opõe, ou que no curso do processo eleitoral, venham a se opor ao governo Dilma Rousseff”. Outros 224 delegados votaram pela candidatura própria e exclusão dos tucanos.

Apesar da resolução sobre os partidos de oposição ao governo Dilma, na prática a decisão dos petistas em apoiar o PSB significa delegar ao prefeito socialista a prerrogativa de incluir ou não os tucanos na aliança. Os discusos após o evento passaram a ser no sentido de demover o socialista da intenção muitas vezes externada de ter o PSDB de maneira formal na coligação.

A decisão precisa ainda ser referendada em encontro no dia 15 de abril, mas, segundo lideranças locais do partido, somente se houver um “evento de força maior” haverá mudança na decisão tomada hoje.

De acordo com o deputado federal Reginaldo Lopes, presidente estadual do PT em Minas Gerais, nas conversas com o prefeito da capital os petistas tentarão vetar os tucanos da coligação. O próprio parlamentar, entretanto, considera a missão difícil, já que Lacerda e o seu partido já declararam o desejo da participação formal dos tucanos.

 “Nós estamos dando o veto político e não legal, mas a impressão que fica é que nós sabemos que o PSDB é contrário ao nosso projeto nacional. Isso é que importante na política”, disse.

“O PSDB é um desconforto nessa aliança. Se eles querem entrar, eles estão aderindo a um projeto iniciado pelo PT. Eles podem fazer um favor ao Marcio (não aderindo à aliança). Onde eles estiverem, nós vamos para o outro lado. O Márcio é do nosso campo. Nós vamos discutir é com ele”, disse o deputado. Lopes negou que o partido tenha saído dividido depois da escolha de hoje.

Já o vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho (PT), afirmou após o encontro que os petistas favoráveis à tese derrotada não irão fazer campanha se houver a participação tucana. Carvalho, que rompeu politicamente com Lacerda, admitiu que “errou” ao apoiar e participar da campanha de 2008.

“Eu admito que errei. Misturar PT com PSDB é impraticável. Fiz uma autocrítica e aprendi com os erros. As políticas sociais não avançaram nesse governo”, afirmou. 

Fiel da balança

Os votos de delegados ligados ao ex-ministro Patrus Ananias foram determinantes para a escolha da tese vencedora. Anteriormente, ele havia desferido críticas ao senador Aécio Neves (PSDB), dizendo que não dividiria um mesmo palanque com o tucano.

Como resultado da escolha do fim de semana passado, 18% dos delegados pertencentes à ala ligada a Patrus haviam optado pela coligação com o PSB, mas sem a participação do PSDB. A esperança dos que defendiam a candidatura própria seria a do convencimento desses delegados a votarem nessa tese --o que garantiria de fato o afastamento do PSDB-- mas não foi o que se observou.

Em discurso antes da escolha, o ex-ministro sinalizou a tendência ao afirmar “não estou com vocês nesse momento", dirigindo-se aos delegados claramente favoráveis à candidatura própria. Patrus afirmou que, neste momento, o apoio nacional do PSB ao PT é o mais importante. O ex-ministro também afirmou não vislumbrar o racha petista.

“Nós queremos, até por razões nacionais, fazer em Belo Horizonte uma aliança com o PSB. Quando a gente define uma linha de alianças, a gente não pode também impor. O PT votou aqui hoje questões que eu considero fundamentais para repactuamos a nossa aliança em Belo Horizonte”, afirmou o ex-ministro.

O PT deverá indicar um nome para concorrer ao cargo de vice-prefeito na chapa de Lacerda. Estão na disputa o ex-deputado Virgílio Guimarães, o deputado estadual André Quintão, e o deputado federal Miguel Corrêa Júnior.



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