O TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) tem recebido denúncias anônimas de que candidatos a vereador estariam sendo proibidos de fazer campanhas em determinadas comunidades, controladas por mílicias e pelo tráfico de drogas. Traficantes e milicianos estariam querendo garantir o voto de moradores a candidatos indicados por eles.
A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro diz que os candidatos que se sentem ameaçados de qualquer maneira devem registrar essa ameaça nas delegacias. "A Secretaria aguarda as informações que o TRE possuir sobre estas investigações e se coloca à disposição do Tribunal para colaborar. O procedimento correto de qualquer candidato que se sinta ameaçado é registrar queixa em delegacia e, posteriormente, recorrer ao TRE que garantirá, mediante necessidade de reforço policial ou não, o direito de fazer campanha em qualquer área pública. Até o momento, a Secretaria de Segurança sabe de declarações relativas a estes fatos, porém não foi informada de nenhum registro formal de fato semelhante em delegacia", informa a Secretaria, por meio de nota oficial.
Em reunião na tarde de segunda-feira (21), a corregedora regional eleitoral, Jacqueline Montenegro, reuniu-se no TRE-RJ com a delegada da Polícia Federal, Izabel Feijó, designada pela instituição para coordenar o apoio à segurança do processo eleitoral no Estado do Rio.
Segundo informações da Globo News, a Polícia Federal foi acionada para investigar a criação desses currais eleitorais nas favelas cariocas.
Por meio da assessoria de imprensa do TRE-RJ, a juíza Jaqueline Montenegro avisa que este foi o primeiro de uma série de encontros que visam garantir a tranqüilidade das eleições. "Uma espécie de operação-votação", diz a juíza.
Crivella já foi barradoNo dia 14 de julho, o candidato a prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), da coligação "Vamos Arrumar o Rio", foi impedido de fazer campanha na comunidade de Rio das Pedras, zona oeste da cidade. A associação de moradores da favela alegou que era preciso marcar a visita com antecedência. Crivella não fez denúncia formal sobre o ocorrido.
Outros candidatos comentaram sobre o caso. Eduardo Paes (PMDB), da coligação "Unidos pelo Rio", repudiou o cerceamento a ida de qualquer candidato a comunidades. "Acho um absurdo que o presidente da Associação dos Moradores tenha interferido na visita do candidato do PRB a Rio das Pedras. O senador Crivella, como qualquer outro candidato, não só pode como deve entrar em qualquer lugar dessa cidade na hora e tempo que quiser. É um absurdo que exista este tipo de restrição", afirmou Paes, na ocasião.