
Por Natuza Nery
BRASÍLIA (Reuters) - A maioria dos novos governadores do país, alinhados ao governo e dispostos a participar de uma grande coalizão nacional, darão na quinta-feira uma demonstração de força e unidade em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um encontro, marcado por eles, terá o petista como convidado ilustre.
Cerca de 18 governadores confirmaram presença no almoço. Antes, eles se reúnem para discutir uma pauta comum.
O objetivo da reunião é mostrar que, pela primeira vez, Lula tem um suporte de musculatura representativa e com identidade política junto ao governo. O movimento atual contrasta com 2002, quando Lula tinha apenas cerca de seis líderes próximos a ele. Naquele ano, sua primeira reunião com governadores fora organizada pelo PSDB, justamente para mostrar que o petista não tinha maioria.
"É um gesto de cortesia dos governadores para dizer a ele que queremos governabilidade e ajudá-lo nessa governabilidade", afirmou o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner (PT).
Wagner, cuja eleição no maior colégio eleitoral do Nordeste rompeu a hegemonia carlista na Bahia, avaliou que o encontro com antigos e novos aliados não exclui um contato amplo e institucional com líderes da oposição eleitos em outros Estados.
"É legítimo fazer uma reunião com alinhados", disse Wagner.
Antes do almoço, os governadores realizarão uma reunião prévia para discutir a pauta que será tratada com o presidente. Temas espinhosos ao Planalto, como um novo pacto federativo, serão discutidos, mas sem polêmica.
"É mais fácil um cristão entrar na Igreja e não rezar do que um governador ir para o Palácio (do Planalto) e não falar de dívida", afirmou o governador eleito de Sergipe, Marcelo Déda, também do PT.
Wagner e Déda participaram nesta manhã, na Confederação Nacional da Indústria, em Brasília, de um encontro de governadores do Nordeste para discutir a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste).