28/09/2006 - 17h38
Oposição acusa e PF nega esconder origem de dinheiro

Por Áureo Germano e Natuza Nery
BRASÍLIA (Reuters) - A Polícia Federal considera que já tem todas as informações necessárias sobre a origem dos dólares apreendidos no caso "dossiê Serra" e negou estar escondendo dados como acusaram líderes da oposição nesta quinta-feira.
O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e o senador Heráclito Fortes (PFL-PI), coordenador da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), reuniram-se com o presidente do BC, Henrique Meirelles, e outros membros da diretoria do banco.
Saíram da reunião afirmando que Meirelles teria informado que a PF ainda não requisitou ajuda do BC para rastrear o montante apreendido equivalente a 1,7 milhão de reais (em dólares e em reais) que seria usado na compra de informações contra políticos tucanos.
"Eu considero estranhíssimo que a Polícia Federal não tenha, até hoje, pedido ao Banco Central ajuda para solucionarmos este caso, o que me leva a crer que a PF já sabe a origem do dinheiro e está sendo constrangida a esconder até as eleições", afirmou Tasso a jornalistas após a reunião.
O diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, argumentou que buscar informações no BC neste momento é irrelevante. Disse que a PF já tem todas as informações necessárias, com base no que foi passado por autoridades norte-americanas, para rastrear o dinheiro.
"O que a PF podia colher no BC, o Coaf já colheu e encaminhou à PF", acrescentou. "Os dois parlamentares estão fazendo campanha. Se eles têm alguma informação sobre a investigação, que digam o que é que eles sabem que a PF ainda não sabe."
Este é mais um capítulo da guerra eleitoral entre a oposição e o governo. Nos bastidores, os parlamentares admitem que não será possível conhecer a origem dos recursos antes de 1o de outubro, mas fazem todos os movimentos políticos para marcar posição antes do primeiro turno.
"O presidente do Banco Central nos informou que nunca foi solicitado nada, nem pela Polícia Federal nem pelo Ministério da Justiça, e que não tem condições de afirmar hoje se os dólares são legais ou ilegais", disse Tasso. "Eu acuso a Polícia Federal e o ministro da Justiça de esconderem o que sabem para depois das eleições", acrescentou.
A assessoria do Ministério da Justiça disse que a atuação da polícia é "impessoal, sem proteger nem perseguir ninguém".
Nesta semana, a PF informou que parte do montante em dólares entrou no país legalmente por meio do banco Sofisa. A polícia investiga agora como e para quem o dinheiro foi distribuído no país. A PF já conseguiu autorização da Justiça para ter acesso a transações do Sofisa com casas de câmbio.