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25/09/2006 - 22h02

FHC chama Lula de "demônio" e prega sua expulsão pelo voto

Por Carmen Munari e Maurício Savarese
Reuters
Em São Paulo

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Serra e Alckmin cochicham enquanto FHC discursa em ato anti-Lula em São Paulo
FOTOS DA SEGUNDA-FEIRA
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta segunda-feira, em ato de apoio à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) errou ao se comparar a Jesus Cristo, em comício no domingo, em Sorocaba. Para FHC, Lula é o "demônio" e precisa ser afastado do poder.

Durante o "Ato por um Brasil Decente", que reuniu tucanos e pefelistas em um clube de São Paulo, o ex-presidente comentou que Lula tem por hábito afagar ex-integrantes do governo ou do partido envolvidos em denúncias de corrupção.

"O presidente da República 'modestamente' se comparou a Cristo. Ele errou porque Cristo nunca foi beijar Judas. Nunca foi chamar Judas de companheiro (...) Ele não é Cristo, não, é o demônio, nós temos que expulsá-lo daqui", bradou Fernando Henrique.

Folha Imagem
Com estratégia de ocupar espaços na mídia e reverter o que considera uma campanha negativa da imprensa, o presidente dará entrevistas à TV e estuda comparecer ao debate da TV Globo com os presidenciáveis, na noite de quinta-feira.
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Embora já tenha afirmado que escândalos envolvendo integrantes do governo e do partido de Lula poderiam levar ao "impeachment" do atual presidente, Fernando Henrique ressaltou na noite desta segunda-feira que a solução vem das urnas. "Ninguém quer golpe, é voto na urna", defendeu.

A referência feita por Lula a Jesus Cristo e à traição de Judas também foi explorada pelo candidato à presidência, Geraldo Alckmin.

"Ele é o Judas dessa historia porque traiu o povo brasileiro", disse o tucano. "Teve o desplante de, além de ofender o cristianismo, ofender a nossa história quando se compara a Tiradentes. Tiradentes morreu porque não traiu e porque não mentiu", completou Alckmin, atacando outra citação de Lula, ao mártir da Inconfidência.

Em entrevista a jornalistas após o ato, Alckmin disse que Lula agiu com arrogância ao dizer que venceria a eleição no primeiro turno. "Eles agiram com muita arrogância, subestimando a capacidade do povo brasileiro. Já se achavam eleitos", afirmou o tucano.