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01/06/2006 - 13h28

Lula fala como candidato e desafia oposição a usar CPIs na TV

Por Ricardo Amaral

MANAUS (Reuters) - A menos de um mês da convenção do PT que o lançará candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou os adversários, nesta quinta-feira, a enfrentá-lo com denúncias na campanha pela televisão.

Um dia depois de o IBGE ter divulgado crescimento de 1,4 por cento do PIB no primeiro trimestre em relação ao anterior, Lula disse que pretende comparar as realizações de seu governo com as do PSDB. Ele confirmou que deseja uma aliança formal com o PMDB e fez ironia com o candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin.

"Quero que eles coloquem CPI na televisão todo dia, toda hora. Que coloquem as torturas que fizeram com muita gente lá", disse o presidente a jornalistas, lembrando que foi dele a decisão de vetar o artigo da lei eleitoral que proibia cenas externas, como as das CPIs, na propaganda eleitoral.

O presidente defendeu os gastos sociais do governo e disse que está "predestinado" a tornar os pobres menos pobres. Para Lula, o Brasil mostrou "uma certa solidez" no momento de incerteza dos mercados em relação à taxa de juros nos Estados Unidos.

Lula deu entrevista ao deixar o hotel em que se hospeda em Manaus para viajar à cidade de Coari, na selva amazônica, onde dará início à construção do gasoduto Urucu-Manaus. À tarde, ele voltará a Manaus para inaugurar uma usina térmica e um conjunto habitacional para moradores de palafitas insalubres.

XINGAMENTO E PALAVRÓRIO

"Está chegando o momento do povo fazer uma aferição do que houve no Brasil", acrescentou Lula. "Na hora em que decidir ser candidato, vamos colocar o que nós fizemos neste país e vamos comparar com eles. Vamos colocar quatro (anos de governo Lula) contra oito (anos de governo Fernando Henrique Cardoso)", disse.

"Vamos medir educação, saúde transporte, estradas, ferrovias, linhas de transmissão, energia e deixar o povo livremente julgar", disse o presidente. "Do outro lado, eles botam o que eles quiserem. Quem não tem argumento xinga."

Lula tentou desqualificar as acusações feitas à antiga direção do PT e a ex-integrantes do governo nas CPIs dos Correios e do Mensalão. Ele chamou de "palavrório" as críticas.

"Quando (o palavrório) surge como única alternativa dos adversários, por não ter como competir em realizações, para competir em baixaria, nesse jogo eu não entro", afirmou.

Lula também não quis comentar as críticas feitas pelo ex-governador paulista Geraldo Alckmin no programa do PSDB segunda-feira. Alckmin responsabilizou o governo federal pela falta de recursos para a segurança pública em São Paulo.

"Nem vi, mas não vou nem posso responder, nem agora nem na campanha", disse Lula. "Acho que não fica elegante ele (Alckmin) ser grosseiro, ele não tem jeito para isso, não combina com ele", ironizou.

Ao lado do governador Eduardo Braga (PMDB), também candidato à reeleição e seu aliado, Lula contou ter ficado satisfeito com a conversa que teve, na véspera, com o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia.

"Disse textualmente a ele que o PT trabalha fortemente com a idéia de que tenha uma aliança formal com o PMDB", recordou Lula. "Se vai ser possível, eu não sei, porque há problemas nos Estados."

O presidente advertiu seus aliados para a importância da aliança nacional. Ele quer que o PT ceda posições ao PMDB em algumas regiões, mas não citou quais.

"Não podemos permitir que o interesse de um Estado subordine o projeto nacional: tem que fazer uma avaliação e ver o que é mais importante."

Lula negou que a conversa com Quércia tenha incluído a oferta, ao PMDB, do posto de vice em sua chapa, depois de confirmada sua candidatura à reeleição. Disse que a conversa não havia chegado a esse ponto para não estabelecer um "patamar de negociação".

SOLIDEZ E PREDESTINAÇÃO

Ele elogiou o vice José Alencar, que ainda não está com sua situação definida e que pode disputar tanto a reeleição quanto o Senado por Minas Gerais pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB).

"O José Alencar é um companheiro que cabe em qualquer lugar, desde o meu coração até a vice ou até qualquer outro cargo."

Lula afirmou que o Brasil "está numa fase boa, consolidando sua economia" e que, por isso, "a crise do Banco Central americano, da dívida pública americana, não nos causou problema."

"Nós temos uma certa solidez, não tanto ainda quanto nós precisamos, mas temos reservas, o PIB está crescendo, o emprego e o salário estão crescendo", afirmou. "O que nós precisamos no Brasil é mostrar para o mundo que nós somos sérios e que temos objetivos estratégicos para o país", acrescentou.

"Eu faço a minha parte e espero que cada partido faça a sua parte e que a gente possa se apresentar ao mundo com esta solidez."

O presidente voltou a dizer que os investimentos em saúde, educação e políticas sociais não são gastos. "É preciso parar com essa mania de achar que quando a gente dá um pouco de salário a gente está gastando", afirmou. "Eu tenho uma predestinação de fazer com que os mais pobres deste país deixem de ser mais pobres", acrescentou.



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