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06/09/2006 - 21h18

Mercadante lembra PCC para atacar tucanos na TV

Da Redação
Em São Paulo
A facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) foi usada para atacar o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, na propaganda eleitoral noturna desta quarta-feira (06/09). Aloizio Mercadante (PT) criticou o desempenho do governo tucano na área da segurança pública --o que Orestes Quércia (PMDB) também fez-- e lembrou os telespectadores dos atentados perpetrados pela facção.

Quércia criticou a atuação dos governos do PSDB na segurança, alegando que os governos de Mário Covas e Geraldo Alckmin não tiveram a "firmeza" necessária para combater a criminalidade. A propaganda apresentou depoimentos de pessoas reclamando da falta de segurança. Quércia não poupou o PT de Mercadante, afirmando que, "se votar em Serra é deixar as coisas como estão, votar no petista é dar um salto no escuro".

O favorito José Serra repetiu em seu programa suas realizações como ministro da saúde, como os mutirões da catarata, os medicamentos genéricos e o programa de tratamento para portadores do HIV. A seguir, o tucano citou o projeto "Mãe paulistana", que oferecia, segundo Serra, acompanhamento médico para gestantes, implantado durante seu período como prefeito da capital. Serra prometeu estender o serviço para todo o Estado: o projeto "Mãe paulista", que prevê sete consultas, cobrindo todo o período de gestação.

No final do programa, um locutor afirmou que o tucano assumiu a prefeitura da capital após uma "administração desastrada do PT", em referência à ex-prefeita Marta Suplicy. Pesquisa Datafolha divulgada no final do mandato da petista mostrou, no entanto, que 48% dos paulistanos consideravam a gestão de Marta como "ótima" ou "boa"

PF x PCC
A propaganda de Aloizio Mercadante citou diretamente o PCC para intensificar as críticas ao desempenho do PSDB na segurança, como Quércia fizera na abertura do horário eleitoral. O próprio Mercadante informou que o Estado registrou, em 2005, 131.000 assassinatos (145.000 mortes violentas no total).

O senador atribuiu à desvalorização das polícias civil e militar de São Paulo a atual crise no setor, lembrando que os salários dos policiais paulistas estão entre os mais baixos do país.

Como contraponto, o candidato do PT enalteceu as ações da Polícia Federal no governo Lula, destacando a última operação da PF em Porto Alegre (RS), quando os federais frustraram um audacioso plano de roubo a banco através de um túnel. Vários criminosos foram presos, muitos dos quais com vínculos com o PCC.

Mercadante afirmou que, com apenas 15 mil homens, a PF conseguiu impor uma dura derrota ao PCC --o que a Polícia Civil de São Paulo, com seu efetivo de 35 mil homens, não foi capaz de fazer, segundo o petista, devido à deficiência de gerenciamento do governo tucano.

"Não tem uma semana em que não haja uma operação de inteligência da PF", afirmou Mercadante, enfatizando que a eficiência da Polícia Federal aumentou durante o governo Lula. Vários recortes de jornal foram levados ao ar, destacando o sucesso da operação de Porto Alegre. O candidato prometeu aprimorar os serviços de inteligência das polícias paulistas e integrá-las a forças federais.

A propaganda petista voltou a mostrar o presidente Lula, que disse o seguinte em depoimento: "Se você está comigo, eu gostaria muito que você também votasse no Mercadante".

o programa também mostrou o candidato com Marta Suplicy, afirmando que Mercadante continurá as obras da ex-prefeita na capital, se eleito.

Senado
Os principais candidatos ao Senado repetiram os temas sobre os quais vêm falando desde o início do horário eleitoral. Guilherme Afif Domingos (PFL) destacou sua atuação contra os impostos e em favor das empresas. A propaganda do pefelista criticou o senador Eduardo Suplicy (PT) por já estar há 16 anos no Senado.

Já a propaganda do petista reforçou seu vínculo com as pessoas mais pobres, exibindo imagens de moradores da favela Heliópolis, da capital, com os quais Suplicy conviveu durante a produção de seus estudos sobre a renda mínima. O jurista Celso de Mello apareceu na propaganda do senador para dizer que, "se faz 16 anos que Suplicy é senador, é porque o povo o elegeu e vai elegê-lo de novo".