Os candidatos ao governo do Estado de São Paulo responderam a questões de jornalistas no quarto bloco do debate que a TV Bandeirantes realizou nesta segunda-feira (28/08). Cada resposta foi seguida do comentário de outro candidato e da réplica do candidato para o qual a pergunta foi feita inicialmente.
Roberto Cabrini, da TV Bandeirantes, iniciou o bloco propondo a Cláudio de Mauro (PV) pergunta sobre a carga tributária. O candidato respondeu defendendo a descentralização tributária para fortalecer os municípios, que, segundo o candidato, receberiam parcela maior dos impostos pagos ao Estado. "Prefeitos [atualmente] não sabem o quanto vão receber". Mauro afirmou que planeja ampliar a base arrecadadora.
Em seu comentário, Carlos Apolinário (PDT) preferiu atacar a sonegação fiscal a reclamar da carga tributáris do país. Disse que é possível aumentar de R$ 80 bilhões para R$ 100 bilhões a arecadação de São Paulo combatendo a sonegação. "Empresário que sonega é igual ao PCC: é ladrão igual", disse o candidato, em referência à facção criminosa responsável pelos atentados no Estado.
Em sua tréplica, Mauro afirmou que os governadores "têm prazer de ver prefeitos com chapeuzinho na mão implorando recursos". O candidato do PV prometeu ampliar a fiscalização e fortalecer o funcionalimo público. "Em nenhum ano em que fui prefeito de Rio Claro deixou de haver reajuste", disse Cláudio de Mauro.
PrecatóriosA segunda pergunta do bloco foi feita por Salomão Esper, da Rádio Bandeirantes, que abordou o pagamento de precatórios. "Os políticos se comprazem em fazer cotejo ao dizer que sanearam as finanças do Estado, mesmo se os precatórios não são pagos. É lícito falar em saneamento à custa de miseráveis que aguardam os precatórios?"
Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) respondeu lembrando que o único governador que saneou as contas de São Paulo foi Carvalho Pinto cujo governo o candidato integrou. "Era uma época em que o Brasil crescia e a arrecadação permitia investimentos e o saneamento das contas. Na atual penúria [devido ao pagamento do serviço da dívida pública] não dá nem para pagar os precatórios, o que é contra lei. Não vai ter solução enquanto não mudar a economia", argumentou o candidato.
Quem comentou a resposta de Plínio foi Aloizio Mercadante (PT), que criticou os 12 anos do PSDB em São Paulo. "O Estado cresceu menos que a média nacional, e, sem crescimento, não tem receita. Venderam a Cetesb e pedem agora a privatização da Nossa Caixa. A solução é a emenda constitucional Nelson Jobim, que define em 3% o comprometimento da receita estadual com os precatórios", afirmou o senador petista.
Em sua réplica, Plínio Arruda Sampaio defendeu o protecionismo. "Temos de proteger nossas indústrias do neoliberalismo".
Metrô e tremA seguir, o jornalista José Nello Marques que perguntou a Carlos Apolinário (PDT) sobre gestão do transporte público.
Apolinário afirmou que o Estado não tem recursos para construir estradas, ferrovias e o metrô de que a população precisa. "Parcerias com o setor privado são boas desde que atendam aos interesses públicos. Hoje, o pedágio é mais caro do que a gasolina. Vou questionar na Justiça os contratos que dão às concessionárias o filé mignon, as estradas mais movimentadas do Estado", sustentou o candidato.
Orestes Quércia (PMDB), sorteado para comentar a resposta de Apolinário, disse concordar com seu concorrente. Ao replicar, o candidato do PDT atacou José Serra. "Onde está você, José Serra? Infelizmente você acha que já ganhou".
Roberto Cabrini, a seguir, perguntou a Orestes Quércia se o candidato está disposto a acabar com a barganha política e se renunciaria, caso fosse apanhado fazendo trocas indevidas de apoios e cargos.
O ex-governador alfinetou o governo federal. "O grande equívoco do governo Lula foi fazer loteamento entre os partidos. É preciso transparência. Vou colocar na Internet todos os atos administrativos, concorrências e gastos. Precisamos fazer o Estado de crescer de maneira transparente", disse o peemedebista.
Ao comentar, Plínio de Arruda Samapio aproveitou para enaltecer Heloísa Helena, candidata de seu partido à Presidência. "Defendo Heloísa Helena, que disse outro dia que os poderes são harmônicos, mas independentes. É preciso ter autoridade moral para governar".
Em sua réplica, Orestes Quércia saiu do tema e atacou os tucanos. "O governo de São Paulo ficou de braços cruzados enquanto indústrias foram para outros Estados".
PedágiosNa seqüência, Salomão Esper perguntou a Aloizio Mercadante o que o petista propunha para corrigir as distorções da privatização das rodovias paulistas.
O senador informou que o Estado não tem praticado uma política racional para o setor. "Não temos uma política de estrutura viária. O pedágio cresceu 210% acima da inflação, explodindo o custo para o motorista e o lucro das concessionárias. Por que elas não colocaram recursos na construção do Rodoanel? São Paulo tem que interiorizar o desenvolvimento, o que passa pelos transportes", disse o petista, que defendeu a instalação do Trem de Alta Velocidade entre Campinas e a capital.
Quem comentou a resposta do petista foi Cláudio de Mauro (PV), que defendeu a revisão dos contratos de pedágio. "Não há vias alternativas às rodovias com pedágio, o que fere o direito de ir e vir", disse o candidato, que citou o caso de um deputado estadual eleito para defender o interesse da concessionária Intervias.
Ao replicar, Mercadante reiterou a defesa do investimento no transporte ferroviário. "Por que os trens da CPTM são ruins? Porque é para pobre. Vamos dar padrão de metrô à CPTM", prometeu o petista, em referência às sucateadas linhas de trem que atendem a região metropolitana de São Paulo.
Por fim, José Nello Marques formulou questão sobre educação para Mário Guide (PSB). "Qual é o modelo de ensino que seu programa contempla?"
O candidato prometeu que, se eleito, vai implantar guarda escolar, investir na formação de professores, e conceder bolsa para cursos profissionalizantes, esperando com isso atingir a "inclusão social pelo ensino".
Ao comentar, Quércia prometeu que, sendo ele o eleito, haverá provas bimestrais, e que os alunos com dificuldades terão ensino complementar em outro período.
"Vamos restabelecer a Cefam [formação de professores], em nível superior, para melhorar o nível dos professores", disse o ex-governador, que também prometeu classes com, no máximo, 30 alunos.
Mário Guido encerrou o bloco com sua réplica. "O elemento humano é que decide as paradas da história. Se investirmos em salário e formação, vamos melhorar a educação".
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