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29/08/2006 - 01h01

Candidatos responderam a jornalistas no quarto bloco do debate na Band

Da Redação
Em São Paulo
Os candidatos ao governo do Estado de São Paulo responderam a questões de jornalistas no quarto bloco do debate que a TV Bandeirantes realizou nesta segunda-feira (28/08). Cada resposta foi seguida do comentário de outro candidato e da réplica do candidato para o qual a pergunta foi feita inicialmente.

Roberto Cabrini, da TV Bandeirantes, iniciou o bloco propondo a Cláudio de Mauro (PV) pergunta sobre a carga tributária. O candidato respondeu defendendo a descentralização tributária para fortalecer os municípios, que, segundo o candidato, receberiam parcela maior dos impostos pagos ao Estado. "Prefeitos [atualmente] não sabem o quanto vão receber". Mauro afirmou que planeja ampliar a base arrecadadora.

Em seu comentário, Carlos Apolinário (PDT) preferiu atacar a sonegação fiscal a reclamar da carga tributáris do país. Disse que é possível aumentar de R$ 80 bilhões para R$ 100 bilhões a arecadação de São Paulo combatendo a sonegação. "Empresário que sonega é igual ao PCC: é ladrão igual", disse o candidato, em referência à facção criminosa responsável pelos atentados no Estado.

Em sua tréplica, Mauro afirmou que os governadores "têm prazer de ver prefeitos com chapeuzinho na mão implorando recursos". O candidato do PV prometeu ampliar a fiscalização e fortalecer o funcionalimo público. "Em nenhum ano em que fui prefeito de Rio Claro deixou de haver reajuste", disse Cláudio de Mauro.

Precatórios
A segunda pergunta do bloco foi feita por Salomão Esper, da Rádio Bandeirantes, que abordou o pagamento de precatórios. "Os políticos se comprazem em fazer cotejo ao dizer que sanearam as finanças do Estado, mesmo se os precatórios não são pagos. É lícito falar em saneamento à custa de miseráveis que aguardam os precatórios?"

Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) respondeu lembrando que o único governador que saneou as contas de São Paulo foi Carvalho Pinto cujo governo o candidato integrou. "Era uma época em que o Brasil crescia e a arrecadação permitia investimentos e o saneamento das contas. Na atual penúria [devido ao pagamento do serviço da dívida pública] não dá nem para pagar os precatórios, o que é contra lei. Não vai ter solução enquanto não mudar a economia", argumentou o candidato.

Quem comentou a resposta de Plínio foi Aloizio Mercadante (PT), que criticou os 12 anos do PSDB em São Paulo. "O Estado cresceu menos que a média nacional, e, sem crescimento, não tem receita. Venderam a Cetesb e pedem agora a privatização da Nossa Caixa. A solução é a emenda constitucional Nelson Jobim, que define em 3% o comprometimento da receita estadual com os precatórios", afirmou o senador petista.

Em sua réplica, Plínio Arruda Sampaio defendeu o protecionismo. "Temos de proteger nossas indústrias do neoliberalismo".

Metrô e trem
A seguir, o jornalista José Nello Marques que perguntou a Carlos Apolinário (PDT) sobre gestão do transporte público.

Apolinário afirmou que o Estado não tem recursos para construir estradas, ferrovias e o metrô de que a população precisa. "Parcerias com o setor privado são boas desde que atendam aos interesses públicos. Hoje, o pedágio é mais caro do que a gasolina. Vou questionar na Justiça os contratos que dão às concessionárias o filé mignon, as estradas mais movimentadas do Estado", sustentou o candidato.

Orestes Quércia (PMDB), sorteado para comentar a resposta de Apolinário, disse concordar com seu concorrente. Ao replicar, o candidato do PDT atacou José Serra. "Onde está você, José Serra? Infelizmente você acha que já ganhou".

Roberto Cabrini, a seguir, perguntou a Orestes Quércia se o candidato está disposto a acabar com a barganha política e se renunciaria, caso fosse apanhado fazendo trocas indevidas de apoios e cargos.

O ex-governador alfinetou o governo federal. "O grande equívoco do governo Lula foi fazer loteamento entre os partidos. É preciso transparência. Vou colocar na Internet todos os atos administrativos, concorrências e gastos. Precisamos fazer o Estado de crescer de maneira transparente", disse o peemedebista.

Ao comentar, Plínio de Arruda Samapio aproveitou para enaltecer Heloísa Helena, candidata de seu partido à Presidência. "Defendo Heloísa Helena, que disse outro dia que os poderes são harmônicos, mas independentes. É preciso ter autoridade moral para governar".

Em sua réplica, Orestes Quércia saiu do tema e atacou os tucanos. "O governo de São Paulo ficou de braços cruzados enquanto indústrias foram para outros Estados".

Pedágios
Na seqüência, Salomão Esper perguntou a Aloizio Mercadante o que o petista propunha para corrigir as distorções da privatização das rodovias paulistas.

O senador informou que o Estado não tem praticado uma política racional para o setor. "Não temos uma política de estrutura viária. O pedágio cresceu 210% acima da inflação, explodindo o custo para o motorista e o lucro das concessionárias. Por que elas não colocaram recursos na construção do Rodoanel? São Paulo tem que interiorizar o desenvolvimento, o que passa pelos transportes", disse o petista, que defendeu a instalação do Trem de Alta Velocidade entre Campinas e a capital.

Quem comentou a resposta do petista foi Cláudio de Mauro (PV), que defendeu a revisão dos contratos de pedágio. "Não há vias alternativas às rodovias com pedágio, o que fere o direito de ir e vir", disse o candidato, que citou o caso de um deputado estadual eleito para defender o interesse da concessionária Intervias.

Ao replicar, Mercadante reiterou a defesa do investimento no transporte ferroviário. "Por que os trens da CPTM são ruins? Porque é para pobre. Vamos dar padrão de metrô à CPTM", prometeu o petista, em referência às sucateadas linhas de trem que atendem a região metropolitana de São Paulo.

Por fim, José Nello Marques formulou questão sobre educação para Mário Guide (PSB). "Qual é o modelo de ensino que seu programa contempla?"

O candidato prometeu que, se eleito, vai implantar guarda escolar, investir na formação de professores, e conceder bolsa para cursos profissionalizantes, esperando com isso atingir a "inclusão social pelo ensino".

Ao comentar, Quércia prometeu que, sendo ele o eleito, haverá provas bimestrais, e que os alunos com dificuldades terão ensino complementar em outro período.

"Vamos restabelecer a Cefam [formação de professores], em nível superior, para melhorar o nível dos professores", disse o ex-governador, que também prometeu classes com, no máximo, 30 alunos.

Mário Guido encerrou o bloco com sua réplica. "O elemento humano é que decide as paradas da história. Se investirmos em salário e formação, vamos melhorar a educação".

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