No terceiro bloco do debate realizado pela Rede Bandeirantes, os candidatos fizeram perguntas uns para os outros. O primeiro sorteado foi Cláudio de Mauro (PV), que perguntou para Aloizio Mercadante (PT) sobre ética na política. O candidato do PV quis saber do petista como ele se sentia tendo no seu partido companhias como a do ex-deputado federal Valdemar da Costa Neto (PL), que renunciou ao mandato por ter sido acusado de envolvimento no escândalo do mensalão.
Mercadante exaltou que a crise ética é muito séria e que foram cometidos "muitos erros graves". "Mas em São Paulo há 69 CPIs engavetadas, enquanto no governo Lula tudo é apurado", disse. O petista disse que a Polícia Federal trabalha como nunca porque "o governo Lula tem vontade de apurar as denúncias".
Na sua réplica, Mauro citou que quando foi prefeito do município de Rio Claro, prendeu um vereador em seu gabinete e que era essa a resposta que a sociedade esperava do governo federal, na apuração das denúncias de corrupção.
O candidato Aloizio Mercadante fez pergunta para Orestes Quércia e aproveitou para alfinetar José Serra. Mercadante perguntou a Quércia quais os motivos para o "desastre" que está a educação no Estado de São Paulo. E, na sua réplica, lembrou que Serra atribuiu, em um programa de televisão, a culpa do estado da educação aos migrantes de São Paulo.
Quércia enumerou alguns problemas, como a progressão continuada, "que passa a criança de ano sem saber e ela, com isso, desafia os professores". O peemedebista lembrou também que há 11 anos que os professores não têm reajuste salarial.
Mercadante lembrou que o problema da educação não pode ser creditado aos migrantes porque "várias capitais do nordeste tiveram melhores avaliações que cidades de São Paulo". "O problema é a incapacidade do PSDB de fazer uma educação de qualidade", disse.
Orestes Quércia também criticou José Serra e informou que ingressou na justiça com uma ação contra o PSDB por propaganda enganosa. "Serra diz que fez 100 hospitais só em São Paulo e sabemos que isso não é verdade."
Plínio de Arruda Sampaio mudou o rumo do debate ao perguntar para Carlos Apolinário por que ele achava que o presidente Lula, a exemplo de José Serra, não comparecia aos debates. Sampaio disse que a pergunta se justificava porque "São Paulo faz parte do Brasil" e os eleitores precisavam saber, por exemplo, se o PDT apóia ou não a política do FMI que o Lula apóia em Brasília.
Apolinário disse que a preocupação dele era com Serra porque ele é um candidato ao governador e voltou a criticar a ausência do candidato tucano, mas não deixou de responder que o PDT sempre foi contra à política econômica do governo Lula. "O nosso fundador Lonel Brizola rompeu com o governo porque não concordava com a política e nós continuamos não concordando."
Orestes Quércia aproveitou o seu direito de fazer pergunta para tratar de um assunto que lhe interessava, a moradia. Quércia citou as milhares de casas da CDHU que fez quando foi governador do Estado e perguntou a Mário Guide quais os planos dele para o setor. Mas, antes disso, criticou mais uma vez o governo tucano e disse que "já foram desviados R$ 6 bilhões da CDHU, que poderiam ter sido utilizados para construir 600 mil casas".
Guide disse que pretende dar continuidade aos projetos da CDHU, mas que vai investir, se eleito, em sistemas de mutirões em parceria com os municípios. O candidato do PSB citou um programa bem sucedido que foi implantado na África como exemplo de projeto a ser seguido em São Paulo.
Carlos Apolinário fez pergunta para Plínio Sampaio e questionou a política atual do Partido dos Trabalhadores, que "defendia a taxação de grandes fortunas mas hoje o que se vê são os bancos ganhando mais de R$ 100 milhões".
"Por que é que você acha que eu saí do PT?", disse Sampaio. O candidato do PSOL, que deixou o PT no ano passado, disse que vivemos "uma pneumonia sem febre" porque a situação é gravíssima e não aparenta ser.
Apolinário lembrou que todo trabalhador tem 27,5% descontado de seu salário para pagar imposto de renda e que a porcentagem é a mesma para os grandes bancos. E se dirigiu ao candidato petista, Aloizio Mercadante, para sugerir que ele leve ao presidente Lula a proposta de ir buscar nos bancos o dinheiro para solucionar os problemas do país. "Olavo Setúbal, presidente do Banco Itaú, disse: PSDB e PT é tudo igual", disse Apolinário.
Mário Guide e Cláudio Mauro encerraram o bloco discutindo questões ambientais. Os dois falaram de propostas para combater as grandes queimadas provocadas pelas usinas de cana-de-açúcar no interior do Estado. Os dois candidatos mostraram-se preocupados com a questão e defenderam uma política de planejamento para o Estado.
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