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28/08/2006 - 23h51

Plínio ataca governo Lula e garante confrontamento no segundo bloco

Da Redação
Em São Paulo
Os candidatos fizeram perguntas uns aos outros no segundo bloco do debate entre postulantes ao governo paulista, realizado pela TV Bandeirantes nesta segunda-feira (28/08). O momento de maior confronto deu-se quando Plínio Arruda Sampaio (PSOL) afirmou não haver diferenças entre os governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula, ao responder a questão de Aloizio Mercadante (PT), no fim do bloco.

Houve 30 segundos para a pergunta, dois minutos para a resposta, um minuto para a réplica e um minuto para a tréplica. O primeiro a fazer perguntas foi Cláudio de Mauro (PV), que perguntou a Carlos Apolinário (PDT) sua opinião acerca de eventuais promessas da eleição de 2004 para prefeito de São Paulo que José Serra, ausente no debate, teria descumprido.

Apolinário respondeu que Serra renunciou e agora "diz que resolveu todos os problemas de São Paulo. [Se vencer a eleição], ele vai ficar três anos e depois se candidatar à Presidência. Você acredita que o Serra vai cumprir as promessas dele? Serra faz qualquer tipo de promessa para ganhar eleição".

Cláudio de Mauro disse em sua réplica que os tucanos transferiram aos municípios responsabilidades na educação. "A crise da educação não é decorrência dos processos migratórios, deve haver progessão continuada sem aprovação automática."

Na tréplica, Apolinário afirmou que Serra vai cumprir a "vergonha continuada", ao se referir ao esquema da progressão continuada na rede estadual de ensino. "Serra pode ser chamado de exterminador de futuro se mantiver a prática".

O segundo a fazer perguntas foi Mário Guide, que perguntou a Orestes Quércia o que o ex-governador faria para ajudar os jovens do Estado.

Quércia respondeu que os jovens, têm sido esquecidos pelos governos do PSDB. "Entre os jovens, o desemprego é maior. Na periferia, atinge 58%. Não existe atenção para o jovem da periferia. Vamos fazer São Paulo crescer, fortalecer a Nossa Caixa, que vai financiar a pequena e média empresa e criar empregos para os jovens. Não tem nada mais horroroso do que um pai chegar à sua casa e perceber que seu filho não tem perspectivas".

Em sua réplica, Guide afirmou que, dos 50 mil homcídios praticados no Brasil, 62% são cometidos por jovens de 15 a 25 anos. "Jovens precisam de amparo e orientação profissional. Centros culturais e quadras poliesportivas ajudariam".

Quércia retrucou, em sua tréplica, que os jovens precisam de um ensino que lhes dê condições. "Precisamos melhorar com o ensino e acabar com a ignorância continuada. Teremos provas a cada dois meses, e as crianças que não forem bem terão acompanhamento extra. Esporte pode mobilizar jovens da periferia e dar oportunidades".

Criminalidade
A seguir, o ex-governador perguntou a Aloizio Mercadante sobre a crise de segurança pública no Estado. "São Paulo vive uma crise de autoridade. Criminosos dividem o comando das prisões, e o governo negocia com eles. Qual sua proposta?"

Mercadante iniciou sua resposta lembrando que houve 1.741 assassinatos no primeiro semestre em São Paulo.

"O Estado que tem a maior força policial do Brasil, mas não é capaz de conter a criminalidade. Precisamos restabelecer a autoridade e a disciplina nos presídios, com capacidade de controle. Separar presos por nível de periculosidade, mandar os presos trabalharem e investir em inteligência policial, integrar os serviços, criar força tarefa nacional para derrotar o crime, formar melhor a polícia, aumentar os salários e cortar na carne se for preciso, como o governo fez na Polícia Federal".

Na réplica, Quércia prometeu que, se eleito, irá restabelecer a autoridade do governo, "que a perdeu ao negociar com os presos".

Aloizio Mercadante, em sua tréplica, informou que há em São Paulo 143 mil presos e mais 100 mil mandatos de prisão não cumpridos. "Temos de investir em penas alternativas, com presos menos perigosos trabalhando para a sociedade".

Não somos iguais
Plínio de Arruda Sampaio tentou sacudir o debate dizendo o seguinte: "[Parece que] aqui todo mundo tá de acordo. Qual é a diferença entre nós? Nós não somos iguais", para depois fazer pergunta a Mário Guide (PSB): "Por que você acha que o Serra não veio?"

Guide respondeu defendendo seu partido, o PSB, sem atacar José Serra. "A Band abriu espaço para exposição de propostas. Cada candidato é responsável pelas atitudes que toma".

Plínio replicou que todos deveriam "colocar o dedo na ferida, da onde sairá o dinheiro [para as promessas da campanha]? Como fica a inserção do Brasil no mundo?"

Guide, na tréplica, afirmou que o país concentra recursos com banqueiros ao pagar os juros da dívida.

Carlos Apolinário, em sua vez de perguntar, questionou como resolver o problema da saúde, "que o Serra e o PSDB resolveram", para Cláudio de Mauro (PV).

O candidato do PV defendeu o investimento na prevenção de doenças e não no tratamento de doentes. "Temos de fazer política pública e não apenas tratar da doença. Com o programa saúde da família, podemos evitar 70% das doenças que seriam posteriormente atendidas nos hospitais públicos".

Em sua réplica, Apolinário concordou com o candidato do PV que, na tréplica, também defendeu o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde).

Ataque a Lula
Por fim, Mercadante perguntou a Plínio de Arruda Sampaio sobre as razões da impopularidade do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "FHC não aparece nem em panfleto de deputado estadual. Qual é a dificuldade de explicar o desastre dos tucanos?"

Plínio usou seu tempo de resposta tentando provar que os governos de FHC e de Lula são semelhantes. Citou dados econômicos e perguntou: "Qual é a diferença?"

Na réplica, Mercadante defendeu o governo Lula e citou diversas realizações do petista das quais o Estado de São Paulo se benficou. "Os tucanos quebraram o país, levaram-no ao FMI e privatizaram 46% do patrimônio público. Nós investimos em programas sociais, o poder de compra do trabalhador aumentou, a vida nunca esteve tão barata para o povo, criamos novas faculdades e universidades".

Plínio menosprezou as obras de Lula, argumentando que o petista não atendeu todas as necessidades do país. "O que precisa dizer é o seguinte, Aloizio, comparar: vocês gastaram extamente o mesmo. Lula baixou o risco-Brasil, que é o risco do investidor, não o risco do brasileiro. Esta economia é profundamente vulnerável".

Leia também:
Primeiro bloco: temas educação e segurança abrem debate em SP
Terceiro bloco: mais críticas ao ausente Serra e seu partido, o PSDB
Quarto bloco: os candidatos responderam a questões de jornalistas
Quinto bloco: nas considerações finais promessas são reafirmadas