
Por Sinara Sandri
PORTO ALEGRE (Reuters) - A pouco mais de uma semana para o segundo turno das eleições, os candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), desembarcam neste sábado em Porto Alegre em busca de votos, uma disputa que deve ficar ainda mais acirrada com a queda da vantagem tucana detectada por pesquisa recente de um instituto local.
A visita dos presidenciáveis ocorre em meio a uma possibilidade de alteração na tendência do eleitorado gaúcho. Contrariando o crescimento da vantagem tucana, registrado nas primeiras pesquisas de intenção de voto, o Centro de Pesquisas do jornal "Correio do Povo" divulgou, nesta sexta-feira, um levantamento que mostra uma sensível redução na diferença dos tucanos sobre os petistas na corrida pelo governo do Estado e pelo Planalto.
Segundo a pesquisa, as intenções de voto em Yeda Crusius (PSDB) caíram de 61,7 para 55 por cento, enquanto as de Olívio Dutra (PT) subiram de 31 para 37,9 por cento, em relação ao levantamento feito em 10 de outubro. A diferença entre os dois candidatos despencou de 30,7 para 17,1 pontos percentuais nesse período.
No mesmo intervalo, Alckmin caiu de 59,9 para 53,9 por cento e Lula passou de 32,2 para 39,9 por cento na preferência do eleitorado. Com isso, a diferença entre os dois presidenciáveis caiu de 27,7 para 14 pontos percentuais. A margem de erro nas duas pesquisas é de 2,1 pontos percentuais.
Esses números contrastam com o resultado obtido pelo Ibope em sua última pesquisa local, em 8 de outubro, quando Yeda aparecia com 63 por cento das intenções de voto, ante 29 por cento de Olívio. Já a dianteira de Alckmin sobre Lula era de 59 por cento a 32 por cento, segundo o levantamento do Ibope.
Na votação de 1o de outubro, a vantagem tucana no Rio Grande do Sul foi clara, consagrando Alckmin e levando Yeda para o segundo turno. Esse resultado contrariou as expectativas geradas pela maioria das pesquisas eleitorais, que apontava o favoritismo do atual governador e então candidato à reeleição pelo PMDB, Germano Rigotto, e mostravam Yeda e Dutra na disputa pelo segundo lugar.
O Rio Grande do Sul é o quinto maior colégio eleitoral do país, com mais de 7 milhões de eleitores. No primeiro turno, Alckmin obteve 55,76 por cento dos votos, ante 33,07 por cento de Lula. Em 2002, Lula havia vencido os dois turnos da eleição presidencial no Estado.
Na disputa pelo governo gaúcho, Yeda teve uma votação de 32,9 por cento contra 27,39 de Olívio.
Além de promover-se como autêntico representante dos valores gaúchos, em crítica sutil ao fato de sua adversária ter nascido em São Paulo, Dutra reproduz, no âmbito local, propaganda sobre o caráter privatizante do PSDB. Na sua defesa, a tucana responsabiliza o governo Dutra pela perda de investimentos, como a opção da Ford pela instalação de uma fábrica na Bahia.