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29/08/2006 - 02h49

Palmeira e Crivella, candidatos apoiados por Lula, enfrentaram-se no 2º bloco

Da Redação
No Rio de Janeiro
O tema segurança pública abriu o segundo bloco do debate entre os candidatos ao governo do Rio de Janeiro. "Existem 140 mil homicídios não apurados, que jamais serão julgados. O que fazer para acabar com a parceria entre poder publico e impunidade?", foi a pergunta do mediador.

Vladimir Palmeira (PT) foi o primeiro a responder. Segundo o petista, o primeiro passo é desmontar as quadrilhas de criminosos que governam o Estado. Palmeira ainda criticou a atuação da atual polícia do Rio. "Eles botam caveirão (veículos blindados para invasão em favelas), matam gente inocente e as quadrilhas aumentam", disse. Sem as quadrilhas, o petista acredita ser necessário fazer uma ocupação social nas comunidades.

Marcelo Crivella (PRB), Eduardo Paes (PSDB) e Denise Frossard (PPS) seguiram uma linha semelhante, falando em investimento na polícia. "Precisamos investir em policia técnica", disse Crivella, falando também em dificultar a entrada da cocaína no Estado.

Paes criticou a 'ineficiência' da polícia, mas citando um outro suposto problema. "A grande questão é que se 'partidarizou'. É onde político não pode meter a mão. Precisamos ter polícia profissional", disse, criticando as indicações políticas para cargos na polícia.

Apesar em também falar em "capacitar essas pessoas", Denise Frossard ainda criticou a resposta de Eduardo Paes. "Não tem de 'despolitizar', tem de ter autoridade moral", falou a juíza.

Eliane Cunha (PRP) encerrou respondendo às críticas aos policiais. "Estamos esquecendo da segurança de quem nos dá segurança", afirmou. "Se o policial não está bem preparado, é a falência do Estado. Pega-se o dinheiro da segurança e investe-se em viaturas bonitinhas, e a família do policial está vulnerável", disse.

Provocações
Nas perguntas entre os próprios candidatos, Marcelo Crivella defendeu-se da pergunta feita por Vladimir Palmeira no primeiro bloco do debate, dizendo ter sido escolhido como o terceiro melhor senador. "Você já foi escolhido um dos três melhores quando foi parlamentar?", perguntou ao petista.

Palmeira seguiu sua linha crítica a Crivella dizendo ter sido bastante presente durante seu mandato na Câmara. "Acho que isso não te credencia para, amanhã, ter você com presença como governador. Este Estado precisa de liderança e não pode ser uma pessoa que se ausenta das votações", acusou.

Em seu direito a uma réplica, Crivella afirmou que era mais importante estar defendendo o Rio de Janeiro em outras ações do que participar de qualquer votação. "Essas votações são dadas por acordo de lideranças. Poderia ter dado um voto a mais, mas preferi lutar pelo meu Estado", respondeu.

Em sua vez, Vladimir Palmeira continuou atacando. O petista perguntou a Denise Frossard se a campanha não estaria muito focada na questão da segurança. "A insegurança agride todas as outras políticas", começou Frossard.

Segundo a deputada, o problema da violência gera um impacto em várias áreas. "Nas escolas, perdemos o turno da noite e elas ainda são alvos de tiroteio. Eu não seria candidata se não tivéssemos esse problema", afirmou a juíza.

Em sua réplica, Palmeira mais uma vez foi ao ataque. "O governo é incompetente em vários setores. O meio ambiente independe da segurança, por exemplo", citou.

O debate entre as duas candidatas presentes foi mais cordial. Denise Frossard perguntou a opinião de Eliane Cunha com relação à delegacia legal, mais informatizada para agilidade nos processos. Segundo a candidata do PRP, as ações precisam funcionar na prática. "Para ganhar votos ou ficar só escrevendo papel não adianta. Defendo ela, mas de forma independente", disse.

Em sua pergunta para Eduardo Paes, Eliane Cunha citou o problema dos transportes. O tucano falou da necessidade de bons projetos para conseguir investimentos no setor. E de uma boa relação com o governo federal. "Seja quem for o presidente eleito, vamos trabalhar em parceria com o governo", explicou.

Fechando o bloco, Eduardo Paes quis saber a opinião de Marcelo Crivella sobre a política de cotas nas faculdades. Segundo o candidato do PRB, políticas discriminatórias positivas podem ser importantes. Mas não apenas pela questão racial. "Também para o branco pobre", disse, citando um problema mais profundo. "Fizemos política de cotas, mas não democratizamos o transporte nem a alimentação", disse.

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