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29/08/2006 - 02h47

Sérgio Cabral não comparece a debate e é criticado por adversários no RJ

Da Redação
No Rio de Janeiro
Sem Sérgio Cabral (PMDB), cinco candidatos participaram do primeiro debate para o governo do Rio de Janeiro, promovido pela Rede Bandeirantes, nesta segunda-feira (28/8). Estiveram presentes Marcelo Crivella (PRB), Denise Frossard (PPS), Eduardo Paes (PSDB), Vladimir Palmeira (PT) e Eliane Cunha (PRP).

Os candidatos foram selecionados de acordo com uma pesquisa encomendada pela Bandeirantes. Sérgio Cabral, líder em intenção de votos, anunciou que não participaria por considerar o tempo curto demais para expor propostas e por temer que o debate virasse um ringue. O peemedebista foi atacado por seus adversários em diversos momentos do programa.

O salário dos professores da rede estadual foi o primeiro tema do debate. De acordo com o formato do programa, a primeira pergunta de cada bloco seria feita pelo mediador. A questão foi: "Um professor da rede estadual recebe, em média, um salário e meio. Qual salário você pretende oferecer?"

Dos cinco candidatos, Eliane Cunha (PRP) foi a única a prometer um valor. "O piso salarial é de 400 reais e em são Paulo 1400. Eu vou colocar um piso salarial de 1.800 reais", disse a candidata, primeira a responder.

A resposta gerou uma ironia de Vladimir Palmeira (PT), segundo pela ordem de respostas. "Se a Eliane ganhar, vou fazer o concurso", brincou o petista, para depois dizer que os oito anos de governo de Anthony e Rosinha Garotinho acabaram com um plano de cargos e salários que a também petista Benedita da Silva havia criado em seu governo.

Marcelo Crivella (PRB) também não prometeu salário, mas garantiu um aumento. "Preferia sentar e discutir, mas vamos aumentar o salário sim", disse o segundo lugar nas pesquisas de inteção de votos, que observou ainda que faltam professores na rede pública.

Para Eduardo Paes (PSDB), o problema na educação vai além dos baixos salários dos professores. "O que vemos é que os professores não são reciclados. Não foi construída nenhuma escola", disse o tucano, falando em 'professores bem remunerados', mas sem citar valores.

Fechando a roda de respostas sobre o salário dos professores, Denise Frossard (PPS) reforçou que o Estado já tem um plano de cargos e salários, mas precisa ampliar sua arrecadação para conseguir cumpri-la. "Se a gente melhorar a arrecadação a gente consegue cumprir sim", afirmou.

Perguntas entre os candidatos
Após as respostas à pergunta do mediador do programa, os candidatos passaram a se enfrentar. Vladimir Palmeira, perguntando a Eduardo Paes, citou reportagem da Folha de S. Paulo sobre as constantes ausências de Sérgio Cabral e Marcelo Crivella, líder e vice-líder nas pesquisas, das votações do Senado.

O tucano aproveitou a chance para dizer ser um parlamentar atuante e criticar Cabral diretamente. "O próprio presidente deixou claro que o senador Sergio Cabral tem sido muito ausente", afirmou Paes, dizendo que o peemedebista não foi responsável pela conquista do pólo petroquímico como costuma dizer.

Na seqüência, Eduardo Paes e Denise Frossard, mesmo discordando, atacaram o governo de Rosinha Garotinho. O tucano citou que um possível "desastre" na economia do Estado. "Não acho a economia catastrófica. O que não tem é gestão", disse Frossard como resposta. A deputada ainda afirmou que a corrupção continua acontecendo no Rio de Janeiro.

Logo depois, Denise Frossard tocou no envolvimento de Marcelo Crivella com a Igreja Universal. Fundador da igreja, o candidato do PRB elogiou a Universal, mas destacou que o Estado não pode ficar na dependência de outras instituições. "Precisamos pensar em um Estado que tenha papel preponderante na vida das pessoas e fazer com que o cidadão se sinta protegido sem precisar de outras instituições", afirmou.

Crivella fez sua pergunta para Eliane Cunha, citando o problema das habitações em áreas de risco. A candidata falou em uma parceria com a prefeitura do Rio de Janeiro para tirar as pessoas dessas áreas. Segundo Eliane, há áreas ociosas na cidade.

Eliane Cunha quis fazer sua pergunta ao ausente Sérgio Cabral. Mas o direito a responder era do petista Vladimir Palmeira responder. Ambos preferiram atacar o candidato do PMDB.

"Gostaria que o candidato que não está aqui (Cabral) explicasse a seus eleitores essa omissão, essa falta, essa imoralidade", afirmou Eliane Cunha. "O senador não pôde vir porque mistifica e engana. Ele é do governo Garotinho", respondeu Palmeira, citando o apoio de Anthony e Rosinha Garotinho a Cabral.

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