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23/10/2006 - 01h05

"Governo não deve ter 100% de ações de estatais", diz Alckmin

Da Redação
Em São Paulo
Frisando que não promoverá privatizações, Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu a negociação de parte de ações de estatais com a iniciativa privada, durante entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, na noite deste domingo (22/10). "Governo não deve ter 100% de ações de estatais."

O tema privatização dominou boa parte do programa. Outro assunto muito explorado foi o corte de gastos públicos e novos investimentos. O início da entrevista teve lances tensos, com jornalistas interrompendo o candidato à Presidência. "Posso responder?" questionou.

Participaram do programa Tereza Cruvinel (O Globo), Alexandre Machado (TV Cultura), Lourival Sant'Anna (O Estado de S.Paulo), Cristiano Romero (Valor Econômico), Denise Rothenburg (Correio Braziliense) e Kennedy Alencar (Folha de S. Paulo), além do apresentador, Paulo Markun.

Além de privatização, o tucano falou de segurança pública, pesquisas, postura nos debates, hegemonia paulista na política nacional, futuro, reforma previdência e crise com a Bolívia.

Choque de gastos
Esse foi o primeiro tema tratado por Geraldo Alckmin. Ele comparou sua gestão em São Paulo com a de Lula no governo federal. Afirmou que o corte de gastos paulista sob gestão tucana foi bem sucedido. "Nós cortamos um déficit de 25% para 3% no primeiro ano [1995] e depois o zeramos nos 11 anos seguintes."

No plano federal, se eleito, o tucano disse que combaterá a corrupção para evitar perda de recurso. Citou estudo da Fundação Getúlio Vargas indicando que no Brasil perde-se US$ 3,5 bilhões com corrupção, segundo Alckmin, para ilustrar de onde virão recursos para investimentos. Prometeu uma "escada gradual de desoneração".

Outro ponto a ser atacado é a informalidade, segundo o tucano. Para ele, sua redução gera crescimento, o que aumentaria a arrecadação federal, sem elevação de impostos. "O Brasil cresce e as despesas, não. Assim, abre espaço para investir. Em São Paulo, investimos R$ 8 bilhões por ano." Prometeu ainda reduzir ministério e cargos comissionados.

Privatização
Alckmin frisou que é contra a privatização, ao acusar Lula de espalhar boatos sobre sua candidatura. "É a 'Mentirobras'", ironizou. Mostrou-se favorável a negociação de parte das empresas públicas, com negociação de ações em bolsa, por exemplo. "Governo não deve ter 100% de ações de estatais"

O tucano defendeu privatizações em São Paulo e no governo Fernando Henrique Cardoso. Disse que o então governador Mário Covas acertou em vender bancos estaduais. No plano federal, elogiou a venda de empresas de comunicação. "No Brasil hoje há cerca de 90 milhões de celulares, foram gerados 70 mil empregos e trouxemos R$ 100 bilhões em investimentos."

Reforma previdência
O candidato afirmou que sempre haverá déficit da previdência. Para combatê-lo, disse que deve haver crescimento econômico. Disse que não vai acabar com o piso previdenciário de um salário mínimo e posicionou-se contra a adoção de idade mínima para aposentadoria.

Caso eleito, disse que promoverá a regulamentação da PEC da Previdência. Prometeu criar um fundo para novos funcionários.

Segurança Pública
No item segurança, Alckmin desfilou números para demonstrar a eficiência de sua administração. Citou a contração de mais policiais, formando um efetivo de 130 mil agentes públicos, construção de 75 penitenciárias, três delas de segurança máxima, e que há 90 mil presos no Estado.

Ele se eximiu de responsabilidade pela criação de Primeiro Comando da Capital durante o seu governo. Não explicou, no entanto, o que pode ser feito para interromper a comunicação de líderes da facção com contatos fora das prisões. "Não há nenhum líder da facção solto."

Ele disse que o crime organizado está atuando politicamente e isentou o PT de ligações com o PCC. Porém criticou Lula com relação a nova Lei de Execução Penal. "É dura com o pequenininho [pessoa mais humilde] e mole com o crime organizado."

Crise com a Bolívia
Alckmin criticou a postura de Lula em relação à crise com a Bolívia, sobre a venda de gás natural e invasão de unidade da Petrobras naquele país. Disse que recorreria a órgãos internacionais, exigiria garantia de investimentos e que não aceitaria a quebra de contratos.

Pesquisas
O candidato minimizou os índices de pesquisas. Acusou institutos de errar previsões, citando o caso de Jaques Wagner (Bahia) e Yeda Crusius (Rio Grande do Sul). O primeiro foi eleito no primeiro turno, contrariando previsões e a segunda chegou ao segundo turno sem indicação anterior. "A eleição não está decidida."

Futura oposição
Esquivou-se de assumir o papel de opositor nesse momento da eleição. Frisou que vai trabalhar para se eleger e acrescentou: "O que o PT não pode exigir da oposição é que haja impunidade". Considerou inviável por ora uma união de quadros do PT e do PSDB.

Sobre uma suposta hegemonia paulista na política nacional, citou ministros paulistas do governo federal para dizer que Lula criou o "Paulistério". Por outro lado, citou lideranças do PFL e do PSDB em outras regiões para ilustrar que não defende a suposta hegemonia.

Vencerá as eleições?
A última pergunta foi sobre sua expectativa no dia 29. Não respondeu objetivamente se seria o novo presidente do Brasil, em comparação à resposta que deu se quando questionado se seria candidato. À época disse monossilabicamente que sim. "Seria uma presunção me antecipar a isso. A pergunta é que pode mais fazer pelo Brasil. Quero ser um instrumento do povo brasileiro."