Reportagem da Rede Globo sobre o péssimo estado da rodovia BR-316, que liga o Maranhão ao Pará, exibida no "Jornal Nacional" da última sexta-feira (08/09), detonou os primeiros ataques da propaganda eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Geraldo Alckmin, candidato do PSDB ao Planalto, no horário eleitoral noturno deste sábado (09).
A apresentadora do programa de Lula usou texto da Folha, que antecipou a tentativa de Alckmin de usar a reportagem da Globo para se promover, indo até a região onde fica a estrada, e qualificou como "demagógica" a atitude do tucano. Segundo a apresentadora, a reforma da rodovia já foi licitada.
A propaganda de Lula informou que 9 mil quilômetros de rodovias foram ou estão sendo reconstruídas pelo governo do petista e que o setor foi abandonado durante os oito anos da administração de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Na seqüência, a mesma apresentadora, que representa a raça negra na propaganda petista, lembrou que, em seu governo, Alckmin privatizou as rodovias paulistas que, atualmente, cobram altos pedágios. "política se faz com seriedade, não com demagogia", concluiu ela.
Pouco depois, a propaganda de Alckmin expôs imagens produzidas neste sábado do candidato conversando com motoristas que enfrentam a poierenta e esburacada BR-316, única ligação entre MA e PA.
Um apresentador abriu o programa com críticas pesadas a Lula, o que se tornou habitual na propaganda tucana, e apresentou imagens de rodovias em mau estado em Minas Gerais, Paraná e outras unidades da federação. A seguir, Alckmin prometeu recuperar a malha rodoviária do país.
Na seqüência, a propaganda --que assumiu um tom emocional-- repetiu a lista de obras de infra-estrutura que Alckmin conduziu como governador de São Paulo. Mais uma vez, imagens de hidrelétricas, obras do metrô e casas populares invadiram a tela.
Alckmin prometeu obras em todo o país. Afirmou que pretende construir um arco rodoviário em torno da cidade do Rio de Janeiro e aprimorar o sistema fluminense de tratamento de esgoto. Disse que vai duplicar a BR-116, acelerar as obras do metrô de Salvador e do Recife, dois redutos do presidente Lula.
O tucano disse que, para os mineiros, vai trabalhar em conjunto com o também tucano Aécio Neves --campeão de intenção de votos entre os candidatos a governador.
A propaganda tucana lançou um novo jingle, com uma melodia lenta e emotiva sobre o candidato. Apresentou depoimentos de pessoas que choravam ao lembrar de como as realizações do ex-governador as auxiliaram, com destaque para os programas Renda Cidadã e Primeiro Emprego.
Obras federaisAntes do ataque a Alckmin, que só foi apresentado nos minutos finais, a propaganda petista repetiu a relação de obras que o presidente coordenou em seu mandato, com ênfase para a infra-estrutura. Novamente, o telespectador viu que Lula construiu ou está construindo 996 mil moradias populares, que concluiu 2.314 e conduz 2.418 obras de saneamento. Ao fim da lista, o refrão: "este trabalho não pode parar".
O petista também reproduziu imagens de algumas de suas mais populares realizações, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), a implantação de 10 universidades públicas, 48 extensões universitárias e 32 escolas técnicas. Na saúde, os destaques foram o programa odontológico Brasil Sorridente, a Samu (ambulâncias) e as Farmácias Populares.
O presidente prometeu construir as ferrovias Transnordestina (que liga os portos de Recife e Fortaleza) e Norte-Sul, entre Belém (PA) e Senador Câmara (GO). Ainda houve referências ao biodísel, ao fim da dívida com o FMI, ao recorde de exportações, à autossuficiência em petróleo e aos reajustes superiores à inflação concedidos aos salários.
Os outrosO candidato do PDT, Cristovam Buarque, afirmou que o presidente Lula declara ter conduzido "uma revolução na educação", à qual teria se recusado a fazer quenado ele, Cristovam, foi seu ministro da área. O senador também disse que o bolsa-escola, projeto que implantou em 1995, quando era governador do Distrito Federal, é melhor que o Bolsa-Família.
Luciano Bivar (PSL) disse que "todos os candidatos falam em reforma tribuária, mas não dizem como farão". Bivar explicou que o imposto único --sua principal proposta-- vai substituir dez impostos federais. Consiste no recolhimento de 1,7% sobre o valor dos cheques.
Ana Maria Rangel (PRP) identificou-se como empresária e cientista política carioca em sua propaganda. Heloísa Helena (PSOL) afirmou que as mulheres cuidarão bem da política como cuidam bem da casa e da família.
José Maria Eymael (PSDC) continuou sua cruzada contra o presidente Lula, afirmando que o eleitorado do Brasil divide-se em dois: os desinformados que recebem o Bolsa-Família --e dão a Lula a enorme vantagem nas pesquisas-- e os informados e enojados com a política.
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