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01/09/2006 - 01h07

"Não existe a liberdade da mulher sobre o próprio corpo", afirma Heloísa Helena

Da Redação
Em São Paulo
A candidata do PSOL à Presidência da República, Heloísa Helena, afirmou que "não existe a liberdade da mulher sobre o próprio corpo", ao responder a questão sobre o aborto, em entrevista ao "Jornal da Globo", apresentada no início da madrugada desta sexta-feira (1º/09).

A senadora reiterou ser contra o direito ao aborto mesmo nos casos previstos pela legislação brasileira (quando a mulher foi vítima de violência sexual e busca o atendimento em hospitais públicos). Para Heloísa Helena, sua posição sobre o tema não contraria sua convicção socialista.

A candidata também não vê problema em negar "a liberdade da mulher sobre o próprio corpo" e pedir o apoio do movimento feminista, que tem neste tipo liberdade e no direito ao aborto duas de suas principais bandeiras.

"Já falei e repito que sou contra o aborto", disse a senadora, com tom irritado, aos jornalistas William Waack e Cristiane Pelajo. Para Heloísa Helena, "a curetagem de uma vida" --como ela qualificou o aborto-- entra em descompasso com a "modernidade", com o "desenvolvimento tecnológico da atualidade".

A candidata do PSOL também atacou o uso de embriões em pesquisas científicas. Inicialmente, Heloísa Helena se disse favorável ao estudo das células-tronco e negou que houvesse uma polêmica religiosa sobre a pesquisa.

Posteriormente, revelou que só apóia os estudos que não empregam células-tronco embrionárias --numa posição semelhante à do presidente norte-americano, o conservador George W. Bush, que também repudia o uso de embriões no estudo, que pode encontrar a cura de doenças como o mal de Alzheimer.

Greves
Heloísa Helena não respondeu se cortaria o ponto de servidores públicos federais que fizessem greve numa área como a da saúde. A candidata foi pressionada pelos jornalistas e tentou mudar de assunto. Por fim, afirmou que não haverá greves se ela for eleita presidente.

"No meu governo não haverá greves. Será tudo de tal forma tão transparente que não haverá greves. O movimento grevista só acontece quando tem chefe de Executivo incompetente e incapaz. Em todas as áreas fundamentais e de emergência não existe paralisação", afirmou a senadora alagoana.

Segundo Heloísa Helena, os funcionários da saúde não interrompem o atendimento amergencial quando aderem a paralisações.

Críticas ao PT
A candidata passou boa parte dos 18 minutos da entrevista reafirmando que o presidente Lula sabia dos esquemas atribuídos a seus auxiliares diretos. "É impossível que ministros montassem um esquema de corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, intermediação de interesses privados sem que o presidente comandasse", acusou a senadora.

Heloísa Helena afirmou que se recusou a se candidatar ao governo de Alagoas em 2002, apesar de liderar nas pesquisas, porque já percebera uma suposta inflexão do PT, que queria que ela se aliasse ao PL local. "Não me submeti a um acordo espúrio. O ano de 2002 foi um teste político para mim".

Privatizações e reforma agrária
A candidata defendeu a realização de auditorias nos processos de privatização conduzidos pelo governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) para investigar se houve crimes contra a administração pública. A senadora também defendeu a realização de plebiscitos para o povo decidir se as empresas continuam privadas ou se são reestatizadas.

Heloísa Helena também prometeu a revisão do equilíbrio econômico financeiro contratual de serviços prestados por companhias estatais que foram privatizadas, como as do setor de telefonia. "O desequilíbrio faz consumidores brasileiros pagarem taxas no lugar dos espanhóis", disse a senadora.

A candidata manteve a promessa de assentar 250 mil famílias por ano, totalizando 1 milhão em seu governo. Segundo Heloísa Helena, o custo do assentamento é de R$ R$ 24.111 por família. "A reforma agrária não acontece devido a uma política econômica que impede investimento público", disparou a candidata.